Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, mobiliza recursos significativos contra o cerco jurídico após sua prisão na Operação Compliance Zero. Segundo a Folha de S. Paulo, o banqueiro reuniu cinco escritórios de advocacia e um ex-procurador do Banco Central. A defesa atua em quatro frentes: Supremo Tribunal Federal (STF), Banco Central (BC), Tribunal de Contas da União (TCU) e exterior.
A defesa adota estratégia agressiva. No Brasil, quatro escritórios atuam em frentes distintas. Na área criminal, atuam Pierpaolo Bottini, Roberto Podval e Sérgio Leonardo. Bottini é um dos principais criminalistas do país. Podval atuou na Operação Lava Jato.
Na frente regulatória, atua o escritório Warde Advogados, de Walfrido Warde. O objetivo é paralisar ou reverter a liquidação extrajudicial do Banco Master imposta pelo BC. A equipe conta com Marcel Mascarenhas, ex-procurador-geral-adjunto do BC que deixou a instituição em 2022 e é especialista em regimes especiais.
A defesa busca substituir o liquidante nomeado pelo BC, Eduardo Félix Bianchini, por um nome aprovado pelo banco. Os advogados também conseguiram transferir a supervisão do inquérito criminal da Justiça Federal para o STF, sob relatoria do ministro Dias Toffoli. A estratégia busca evitar decisões de primeira instância.
No exterior, o escritório King & Ruiz, dos Estados Unidos, tenta impedir o reconhecimento da insolvência do Master na justiça americana. Mas ali o banqueiro sofreu derrota recente. O juiz Scott M. Grossman, da Flórida, reconheceu o processo de liquidação, rejeitando o argumento de que a medida poderia ser revertida no Brasil.
Vorcaro também cultivou conexões políticas em Brasília nos últimos anos. A estratégia de envolver instâncias superiores em questões técnicas de liquidação bancária preocupa especialistas, que veem risco de enfraquecimento da autoridade do BC e comprometimento da segurança dos mercados.
