
Você pode até odiar, mas o BBB certamente vai aparecer em conversas da família, de amigos ou do trabalho. O reality de maior sucesso no Brasil muda, mas mantém a essência de que as disputas pessoais navegam por diversas telas e pelas redes sociais, e isso rende comentários e muito dinheiro.
A edição de 2026 chega ao ar com um roteiro que a TV Globo conhece bem: reality ao vivo, conversa diária nas redes e uma vitrine publicitária que pode garantir presença em diversas plataformas. A emissora fechou o patrocínio desta edição com 15 marcas para o ciclo de veiculação, combinando TV aberta, Multishow e um pacote digital que passa por canais fechados e digital.
As marcas patrocinadoras e anunciantes do BBB 26 são Ademicon, Ajinomoto, Amstel, Betano, CIF, Eletrolux, iFood, McDonald’s, Mercado Livre, Mercado Pago, MRV, Nestlé, Nívea, Super (CIMED) e TIM. O “mix” ajuda a explicar por que o BBB ainda vale ouro: ele junta marcas de consumo imediato, serviços recorrentes, setores que brigam por consideração em ciclos longos, serviços digitais, todos se beneficiando dos mesmos ativos — atenção em massa e engajamento em tempo real. Esse impacto é resultado direto de uma transformação que o BBB sofreu durante os anos, saindo da TV aberta e invadindo canais fechados e redes sociais.
No plano comercial, há um mosaico de oportunidades para patrocinadores. As cotas, segundo a emissora, partiram de 13,3 milhões de reais e chegaram a montantes dez vezes maiores. Segundo estimativas de agências de publicidade, o valor final da atração pode significar um retorno de, pelo menos, 1,35 bilhão de reais para a emissora.
Com esses números, que muitas vezes assustam quem não está familiarizado, a pergunta que sempre surge é se vale a pena o investimento. A resposta não depende da opinião sobre o programa, mas do entendimento das marcas e de suas estratégias. O BBB é um programa que une recorrência e impacto. A recorrência vem de seus 100 episódios apresentados diariamente em todas as plataformas. Porém, diferente de que ocorre em uma novela ou uma série, os participantes têm fãs e times organizados nas redes. São centenas de pessoas trabalhando por seus candidatos e, claro, pulverizando informações sobre o programa.
A recorrência e o esforço valem para as marcas que trabalham para otimizar os resultados da comunicação. Se tiverem estratégias focadas, aproveitam muito mais, mas o programa não vale para qualquer marca. Observe os patrocinadores: são produtos de consumo já distribuídos, uma operadora de telefonia pela qual os espectadores podem acompanhar os programas e as informações sobre os participantes, a maior plataforma de marketplace que opera essencialmente pelo celular, e outros que possuem em comum ampla rede de acesso e distribuição pelos consumidores.
Em 2025, a final do programa teve uma audiência de 17 pontos, muito abaixo de outras edições. Mesmo assim, o número é impactante. Esteve por 41 horas em trending topics no X, teve mais de 1 bilhão de visualizações nas redes sociais e impactou pela TV de 127 milhões de brasileiros.
O espectador não tem uma relação passiva. A possibilidade de escolher os participantes e a chance de votar em eliminações conferem uma sensação de poder e, em certo ponto, de vingança. Basta lembrar que candidatos vão para o paredão e são eliminados por quem vota. A sensação parece boa: vou eliminar tal ou qual pessoa. Para as marcas, isso significa alto grau de envolvimento e oportunidade de engajamento.
O BBB continua a ser uma das poucas propriedades brasileiras capazes de combinar escala nacional, participação ativa do público e integração total entre mídia e conteúdo — uma espécie de “evento diário” que, mesmo com oscilações no Ibope, segue competitivo para marcas que desejam estar no centro da conversa em diversas plataformas. E tem mais: todo mundo sabe que, em algum momento, você vai dar uma espiadinha.
