Na madrugada do dia de 3 de janeiro de 2026, Caracas acordou com barulhos de bombas que atingiram a capital do país, além dos estados de Aragua e La Guaira, onde está localizado o principal aeroporto do país.
O bombardeio começou por volta das 2h da manhã e, poucas horas depois, o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, foi confirmado pelas autoridades venezuelanas e pelos Estados Unidos, responsáveis pelo ataque sem precedentes.
“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea”, escreveu o presidente dos EUA, Donald Trump, em uma rede social.
Segundo o governo venezuelano, 111 pessoas, incluindo 32 agentes cubanos que eram encarregados da segurança pessoal de Nicolás Maduro, morreram.
Horas depois do ataque, a então vice-presidenta, Delcy Rodríguez, apareceu em rede nacional para declarar que o governo do país seguia sob o comando do chavismo. Em pronunciamento à imprensa, ela afirmou que o único presidente da Venezuela é Nicolás Maduro e que há uma união cívico-militar para defender a soberania nacional.
Na segunda-feira (5), ela tomou posse como presidenta interina da Venezuela. A cerimônia ocorreu no plenário da Assembleia Nacional, diante do irmão, Jorge Rodríguez, reeleito presidente do Parlamento. “Venho com dor, mas também com honra”, disse, em seu discurso de posse.
“Estamos apoiando de maneira absoluta Delcy Rodríguez, presidenta encarregada, diante do sequestro do nosso presidente Nicolás Maduro”, disse o ministro do Interior, Diosdado Cabello, na quarta-feira (7), durante a exibição de seu programa Con el Mazo Dando.
Ainda que o cenário venezuelano seja incerto, o analista de política internacional Hugo Albuquerque diz que, uma semana após os bombardeios, o governo venezuelano dá sinais de que está unificado.
“Eu acredito que o governo está unificado e é um fato que ele detém os meios de governar o país. Diante do ataque não houve levante das massas para derrubar o governo. Também não houve um racha do alto comando, nem surgiu uma outra força que pudesse tomar o poder”, diz.
O chavismo ainda conta com respaldo popular. Desde que os ataques aconteceram, Caracas tem registrado marchas diárias de venezuelanos que protestam contra a ingerência estadunidense e que pedem a liberação de Nicolás Maduro, detido em Nova York.
Relação com os EUA
Mas é fato que o governo, diante de tamanha agressão sofrida, tomou atitudes em seu relacionamento com Washington.
Donald Trump anunciou, na terça-feira (6), que o governo interino venezuelano chegou a um acordo para a venda de 30 a 50 milhões de barris de petróleo “de alta qualidade” aos Estados Unidos.
“Esse petróleo será vendido a preço de mercado, e esse dinheiro será controlado por mim”, publicou o mandatário em uma rede social.
No dia seguinte, a PDVSA, empresa estatal de petróleo da Venezuela, confirmou que há tratativas em andamento.
“Esse processo se desenvolve sob esquemas semelhantes aos vigentes com empresas internacionais, como a Chevron, e é baseado em uma transação estritamente comercial, com critérios de legalidade, transparência e benefício para ambas as partes”, disse a companhia, em nota.
Ainda não se sabe ao certo qual seria a periodicidade de envio dos barris de petróleo venezuelano. No fim do ano passado, a estatal petroleira anunciou marca de produção de 1,2 milhão de barris por dia, o que equivale a cerca de 36 milhões por mês.
Albuquerque, no entanto, diz que “no atual momento não é possível fazer algo diferente” do que a presidenta interina tem feito.
Ainda segundo o analista, nenhum cenário pode ser descartado, inclusive a liberação de Nicolás Maduro.
“Maduro passou anos sendo criticado e agora ele se tornou, de certa forma, um símbolo. O cenário é muito desfavorável e a tendência é que ele seja condenado, mas eu não acho que seja impossível a libertação dele. É improvável, mas não é impossível.”
