
O presidente Donald Trump têm recebido informações de inteligência a respeito de possíveis ataques dos Estados Unidos ao Irã, afirmaram fontes do governo ao The New York Times e à CNN.
Segundo o NYT, as ameaças de Trump não são vazias. Apesar de ainda não ter se decidido por uma ação na região, as fontes apontam que Trump está “seriamente” considerando a opção conforme os protestos no país se espalham. Ontem, Trump publicou em sua rede social TruthSocial que os EUA estavam “prontos para ajudar”.
Até o momento, organizações da sociedade civil iranianas no exterior apontam entre 200 e 500 mortos nos protestos, além de milhares de prisões. O governo iraniano acusa parte dos protestantes de serem manipulados pelos EUA e por Israel para instarem violência no país.
A CNN aponta que os militares próximos a Trump expressaram a preocupação de que um ataque dos Estados Unidos provoque um efeito contrário, unindo iranianos contra uma intervenção americana no país. Apesar de parte expressiva dos protestos serem contra o regime atual, há demonstrações de apoio ao governo nas ruas.
Além disso, segundo a CNN, também são avaliados os riscos do Irã aumentar a repressão ao povo iraniano caso haja algum movimento dos EUA.
Os últimos ataques dos EUA ao Irã ocorreram em junho de 2025. Na ocasião, os alvos foram três instalações nucleares do país.
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, criticou na sexta-feira os “vândalos” que, segundo ele, estão por trás dos protestos, e acusou os Estados Unidos de incitá-los.
“Estamos em plena guerra”, declarou Ali Larijani, um de seus conselheiros e chefe da principal agência de segurança do país, denunciando “incidentes orquestrados no exterior”.
Neste sábado, a televisão estatal exibiu imagens dos funerais de integrantes das forças de segurança mortos durante os protestos. Na cidade de Shiraz, no sul do país, o comparecimento nos ritos fúnebres foi expressivo.
Em Londres, um manifestante substituiu brevemente a bandeira da República Islâmica do Irã por outra do antigo regime monárquico na fachada da embaixada iraniana, durante um ato de apoio ao movimento de protesto que reuniu centenas de pessoas, segundo testemunhas.
O governo iraniano não enfrentava um movimento de protesto dessa magnitude desde as marchas organizadas em 2022 após a morte de Mahsa Amini, que foi presa por supostamente violar o código de vestimenta feminino.
Essas manifestações ocorrem quando o Irã está enfraquecido após a guerra com Israel e os golpes sofridos por vários de seus aliados regionais. Além disso, em setembro, a ONU restabeleceu as sanções relacionadas ao programa nuclear do país.
*Com informações da AFP
