
Nicolás Maduro entrou nesta segunda-feira 5 em um tribunal lotado de Nova York com uma postura confiante. Olhou para a galeria e fez uma saudação em espanhol, antes de afirmar ao juiz: “Não sou culpado”.
Vestindo uma camisa sobre um uniforme de presidiário, Maduro afirmou que forças americanas o haviam sequestrado e que ele é um prisioneiro de guerra. “Sou um homem decente, continuo sendo o presidente do meu país”, declarou, em uma audiência de 30 minutos.
“Não sou culpado”, acrescentou Maduro, sobre as acusações de tráfico de drogas e de armas que enfrenta na Justiça americana.
Advogados, agentes e jornalistas lotaram a sala do tribunal federal de Manhattan. Maduro mostrava saber que os olhos e os ouvidos do mundo estavam voltados para ele.
O presidente deposto condenou a operação em Caracas na qual foi capturado com sua mulher por militares americanos. O juiz o interrompeu quando ele respondeu além do que lhe havia sido perguntado.
“Estou sequestrado aqui desde sábado. Fui capturado na minha casa”, afirmou Maduro, 63. O juiz do caso, Alvin Hellerstein, explicou ao venezuelano que haveria o “momento e lugar” adequados para ele dar a sua versão dos fatos.
No fim da audiência, um homem da plateia gritou que Maduro pagaria por seus crimes. “Sou um prisioneiro de guerra”, respondeu o venezuelano, antes de ser conduzido para fora da sala.
Maduro falou apenas em espanhol, e usou o tradutor para responder às perguntas do juiz, que recebeu de um intérprete as respostas em inglês. O presidente deposto fez anotações durante toda a audiência e quase não levantou os olhos da mesa.
Polícia
A mulher de Maduro, Cilia Flores, que estava vestida de forma semelhante ao marido, sentou-se ao seu lado, com um dos três advogados do casal entre eles. Dois oficiais desarmados posicionaram-se atrás do casal.
A polícia conduziu Maduro e Cilia em um carro blindado da prisão do Brooklyn até o tribunal de Manhattan, cuja área foi isolada por agentes fortemente armados.
Dezenas de manifestantes se reuniram para comemorar ou criticar a prisão de Maduro, e foram separados pela polícia quando os ânimos se exaltaram. Um dos grupos, que agitava bandeiras venezuelanas e exibia cartazes com a frase “EUA, mãos fora da Venezuela”, gritava: “Viva, Maduro!”
Sydney Loving, 31, que viajou de Minneapolis para participar da manifestação, declarou: “Dizemos não à intervenção americana. Não nos beneficia.”
No outro grupo, a alegria reinava pela prisão de Maduro. “Hoje é meu aniversário, e este é o melhor presente que já recebi”, disse o venezuelano Ángel Montero, 36, que vive nos Estados Unidos. “Estou muito feliz que isto esteja acontecendo hoje. Estou feliz que todos estejam aqui apoiando a justiça.”
