
O Dia do Consumidor, celebrado em 15 de março, já se consolidou como uma das principais datas do varejo no primeiro semestre. Com o aumento no volume de buscas e compras online, o período exige mais do que boas promoções. Especialistas indicam quatro frentes que as empresas precisam trabalhar para converter o interesse do consumidor em receita, sem sacrificar a operação nem a experiência de quem compra.
O pano de fundo da disputa ficou mais acirrado. Dados do Unified Commerce Benchmark (UCB) 2026, relatório desenvolvido pela Manhattan Associates em parceria com a Incisiv, mostram que 37% das capacidades que diferenciavam os varejistas mais maduros em 2024 já são consideradas básicas em 2026. “O varejo latino-americano avançou rapidamente em comércio unificado nos últimos anos, mas esse progresso também elevou o nível de exigência do consumidor. Hoje, capacidades que antes eram diferenciais passaram a ser simplesmente o ponto de partida para competir”, afirma Stefan Furtado, gerente regional da Manhattan Associates.
Reter quem já comprou vale mais do que buscar novos clientes
A corrida por novos clientes durante o Dia do Consumidor é compreensível, mas os números sugerem que o potencial maior está em quem já comprou. Segundo o UCB, 65% dos consumidores da América Latina buscam jornadas de compra mais rápidas e com menos fricção.
Renan Caixeiro, cofundador do Reportei, plataforma de relatórios e dashboards para marketing e vendas, defende que as empresas cruzem dados de funil de vendas, canais de origem e comportamento pós-compra para identificar oportunidades de reativação. “A retenção é uma métrica de longo prazo, mas começa com a análise de curto prazo. Entender quais campanhas geraram não só conversão, mas também recorrência, é o primeiro passo para construir relacionamentos duradouros”, diz Caixeiro.
Para ele, o volume de dados coletados na data precisa virar inteligência contínua. A recomendação é integrar relatórios de marketing com dados de CRM para monitorar o comportamento dos clientes mais lucrativos ao longo do tempo.
Infraestrutura digital precisa estar pronta antes do pico
Datas promocionais ampliam o tráfego nos ambientes digitais e expõem falhas de infraestrutura que, fora do pico, passariam despercebidas. Ricardo Melo, vice-presidente de Marketing e Growth da HostGator Brasil, recomenda que empresas verifiquem se seus sites estão rápidos, estáveis e preparados para receber um volume maior de visitantes, com uso de servidores mais robustos, como VPS (Virtual Private Server).
“Ter uma presença digital estruturada, com um site rápido, seguro e fácil de navegar, faz toda a diferença para converter visitas em clientes e aproveitar ao máximo o aumento da demanda”, afirma Melo.
Além da estabilidade técnica, a experiência do usuário pesa diretamente na conversão. Páginas que carregam com agilidade, processos de compra sem etapas desnecessárias e integração com diferentes meios de pagamento ajudam a reduzir o abandono de carrinho.
Planejamento integrado evita rupturas e erros operacionais
O aumento de vendas em datas como o Dia do Consumidor também coloca à prova a capacidade operacional do varejo. A Zucchetti Brasil, multinacional italiana especializada em sistemas de gestão, recomenda que as empresas analisem o histórico de vendas e o giro de produtos para prever a demanda com mais precisão e estruturar ofertas que reduzam o risco de ruptura de estoque.
A integração entre canais físicos e digitais é outro ponto de atenção. Alinhar estoques, preços e condições de venda em todos os pontos de contato evita divergências que prejudicam a experiência de compra. “Datas como a Semana do Consumidor exigem mais do que boas promoções. O varejista precisa ter controle da operação para responder rapidamente ao aumento da demanda e manter a experiência de compra fluida”, diz Bernardo Rachadel, diretor de Unidade de Negócio de Varejo da Zucchetti Brasil.
Sistemas de gestão integrados, como ERP e PDV, ajudam a reduzir erros no checkout e garantir a emissão correta de documentos fiscais.
Golpes digitais aumentam junto com as vendas
O crescimento no volume de transações no Dia do Consumidor atrai um problema paralelo: a escalada de ataques cibernéticos. Dados da SentinelOne indicam que o ransomware, tipo de malware que pode paralisar sistemas de pagamento e plataformas de e-commerce, cresceu 13% nos últimos cinco anos. Cerca de 70% dos ataques tiveram como alvo pequenas e médias empresas.
“Para varejistas, cada minuto de indisponibilidade afeta a experiência do cliente. É necessário ter um sistema de segurança implementado desde o início das operações, para que o pior resultado de um golpe não aconteça: a perda de credibilidade e de confiança da empresa pelos clientes”, afirma Carlos Cabral, especialista em cibersegurança da Tempest.
O phishing, voltado tanto para empresas quanto para consumidores, também se destaca entre os golpes mais usados no período. Cabral recomenda atenção a mensagens que pedem ações urgentes, dados pessoais ou cliques em links inesperados. “Minha recomendação é sempre acessar o site diretamente pelo navegador, digitando o endereço, ao invés de clicar em links. Além disso, atenção para anexos inesperados: só abra se forem de fontes confiáveis e validadas”, diz o especialista.
