
Pelo menos 200 pessoas morreram em duas semanas de protestos contra o governo e a pressão econômica no Irã, com estimativas de que as vítimas cheguem até 500, segundo divulgado em levantamentos de grupo de direitos humanos neste domingo (11).
A organização Iran Human Rights, sediada na Noruega, confirmou que ao menos 200 pessoas foram mortas, mas destaca que o número de mortos provavelmente é maior. O levantamento da HRANA (Human Rights Activists in Iran) aponta mais de 500 mortes, segundo levantamento divulgado à agência Reuters.
Uma nova manifestação contra o poder teve início na noite de sábado, apesar dos temores de uma repressão brutal e após mais de dois dias sem acesso à internet no maior movimento de protesto contra o governo em mais de três anos.
As manifestações, iniciadas há duas semanas por comerciantes insatisfeitos com a crise econômica do país, representam um dos maiores desafios das autoridades teocráticas que governam o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979.
O país está sem acesso à internet há 48 horas, após um apagão nacional imposto pelas autoridades, segundo a ONG de cibersegurança Netblocks. Nessas condições, é difícil ter acesso a qualquer informação.
A video released last night, Saturday, January 10, from Mashhad shows the severe crackdown by the authorities against protesters in the city’s streets. As of today, Sunday, January 11, the Islamic Republic government has shut down the internet across Iran for more than three days… pic.twitter.com/RRs0DUc2of
— Iran Human Rights (IHRNGO) (@IHRights) January 11, 2026
As imagens do ato, verificadas pela AFP, mostram manifestantes realizando um panelaço, soltando fogos na praça Punak de Teerã e gritando palavras de ordem em apoio à dinastia Pahlavi, derrubada pela Revolução Islâmica de 1979.
O presidente americano Donald Trump disse neste sábado que os Estados Unidos estão “prontos para ajudar”.
“O Irã está olhando para a LIBERDADE, talvez como nunca antes. Os Estados Unidos estão prontos para ajudar!!!”, disse Trump em uma publicação na rede Truth Social, sem dar mais detalhes.
Seus comentários chegam um dia depois de ele afirmar que o Irã tem “sérios problemas” e advertir novamente que poderia ordenar ataques militares.
Em caso de um ataque militar americano, “tanto o território ocupado quanto as instalações militares e navais dos Estados Unidos serão nossos alvos legítimos”, alertou o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, neste domingo, segundo a televisão estatal.
Em entrevista transmitida neste domingo pela emissora estatal IRIB, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou que “o povo não deve permitir que vândalos perturbem a sociedade”.
A ganhadora iraniana do Nobel da Paz, Shirin Ebadi, alertou na sexta-feira que as forças de segurança podem estar se preparando para cometer um “massacre sob a cobertura de um amplo bloqueio das comunicações”.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, manifestou o apoio da União Europeia às “mulheres e homens iranianos que reivindicam liberdade” e denunciou a “repressão violenta” aos protestos.
A organização divulgou imagens que mostram, segundo ela, cadáveres de manifestantes empilhados em um hospital de Teerã.
A Anistia Internacional assinalou que está analisando elementos que indicam que a repressão se intensificou nos últimos dias.
O filho do xá deposto, Reza Pahlavi, que vive nos Estados Unidos, convocou os iranianos a organizar protestos mais focalizados neste fim de semana e a “tomar e manter os centros urbanos”.
Pahlavi, cujo pai Mohammad Reza Pahlavi foi derrubado pela revolução de 1979 e morreu em 1980, afirmou que também se prepara para “retornar à [sua] pátria” em breve.
O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, criticou na sexta-feira os “vândalos” que, segundo ele, estão por trás dos protestos, e acusou os Estados Unidos de incitá-los.
“Estamos em plena guerra”, declarou Ali Larijani, um de seus conselheiros e chefe da principal agência de segurança do país, denunciando “incidentes orquestrados no exterior”.
Neste sábado, a televisão estatal exibiu imagens dos funerais de integrantes das forças de segurança mortos durante os protestos. Na cidade de Shiraz, no sul do país, o comparecimento nos ritos fúnebres foi expressivo.
Em Londres, um manifestante substituiu brevemente a bandeira da República Islâmica do Irã por outra do antigo regime monárquico na fachada da embaixada iraniana, durante um ato de apoio ao movimento de protesto que reuniu centenas de pessoas, segundo testemunhas.
O governo iraniano não enfrentava um movimento de protesto dessa magnitude desde as marchas organizadas em 2022 após a morte de Mahsa Amini, que foi presa por supostamente violar o código de vestimenta feminino.
Essas manifestações ocorrem quando o Irã está enfraquecido após a guerra com Israel e os golpes sofridos por vários de seus aliados regionais. Além disso, em setembro, a ONU restabeleceu as sanções relacionadas ao programa nuclear do país.
*Com informações da AFP
