
A América Latina se dividiu no Conselho de Segurança da ONU, nesta segunda-feira 5, sobre o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro, que irá a julgamento em Nova York.
A captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, levou a uma reunião de emergência do órgão máximo da ONU.
“Estas ações recordam os piores momentos de interferências na política latino-americana do Caribe”, disse a representante da Colômbia no Conselho, Leonor Zalabata Torres.
A Colômbia entrou no colegiado em janeiro e solicitou uma reunião em caráter de urgência a pedido da Venezuela.
Mais cedo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu o respeito aos “princípios de soberania, independência política e integridade territorial dos Estados”, segundo declarações lidas em seu nome pela subsecretária-geral Rosemary DiCarlo.
O embaixador do Brasil, Sérgio Franca Danese, representante permanente do País na ONU, expressou termos semelhantes. “Estes atos constituem uma gravíssima afronta à soberania da Venezuela e estabelecem um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.”
“O Chile não reconhece o regime de Maduro, mas as graves violações de direitos humanos que a Venezuela enfrenta não têm uma solução militar”, disse a embaixadora Paula Narváez.
Já o principal aliado de Trump na região, o presidente da Argentina, Javier Milei, mostrou-se favorável à intervenção militar por meio de seu embaixador nas Nações Unidas, Francisco Tropepi. De acordo com ele, o país “confia que estes acontecimentos representem um avanço decisivo contra o narcoterrorismo que afeta a região e, ao mesmo tempo, abram uma etapa que permita ao povo venezuelano recuperar plenamente a democracia”.
Apesar dos embates do Panamá com Trump em 2025 acerca do canal, seu representante, Eloy Álfaro de Alba, se mostrou mais crítico a Caracas do que a Washington.
O Panamá “deseja manifestar seu compromisso inabalável com a soberania dos Estados”, disse o embaixador. “Considera igualmente necessário destacar que a situação que a Venezuela atravessa se desenvolve em um ambiente marcado pelo desconhecimento da vontade de seu povo.”
O governo do presidente José Raúl Mulino “não reconhece nem reconhecerá o regime de caráter autoritário e ilegítimo” em Caracas, completou.
Darío Filártiga, do Paraguai, reforçou, por sua vez, a alegação de que Maduro seria o líder do suposto Cartel dos Sóis, um grupo que não existe como tal, conforme especialistas. “A saída do líder de tal organização terrorista deve abrir imediatamente caminho para a restauração da democracia e do Estado de direito na Venezuela.”
Por outro lado, o embaixador da Venezuela, Samuel Moncada, afirmou que o governo do país mantém “o controle efetivo sobre todo o seu território” e pediu a liberdade imediata de Maduro.
(Com informações da AFP)
