
O Brasil deve usar a reunião extraordinária do Conselho de Segurança das Nações Unidas, marcada esta segunda-feira 5, para reiterar a posição do presidente Lula (PT) de condenação ao ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela, que culminou na captura do presidente Nicolás Maduro.
Representado pelo embaixador Sérgio Danese, o País pretende reforçar, diante do colegiado, que a ação militar em território venezuelano e o sequestro de Maduro configuram grave violação do direito internacional e abre um precedente perigoso para a estabilidade regional.
A expectativa no Itamaraty é de que Danese reproduza o teor das declarações públicas de Lula e das notas diplomáticas divulgadas nos últimos dias.
O foco deve recair sobre princípios como a defesa da integridade territorial, a não intervenção em assuntos internos e a necessidade de que eventuais transições ocorram sem ingerência externa. A orientação é evitar menções diretas tanto ao presidente venezuelano quanto a Donald Trump.
Embora não integre formalmente o Conselho de Segurança e não tenha direito a voto, o Brasil deve solicitar o uso da palavra com base nas regras do órgão que permitem a manifestação de países diretamente interessados no tema.
Os diplomatas brasileiros, no entanto, reconhecem que a reunião da ONU deve ter caráter majoritariamente simbólico, sem expectativa de decisões práticas capazes de alterar a situação no país vizinho.
Além do discurso no Conselho de Segurança, o Brasil tem buscado articular uma resposta diplomática conjunta com outros países. No domingo 4, o Itamaraty divulgou nota assinada por Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha, na qual os governos expressaram preocupação com a violação da soberania venezuelana e com qualquer tentativa de controle externo sobre a administração do país e seus recursos naturais.
