Movimento leva elefante ao Congresso em protesto contra desigualdade fiscal – CartaCapital

Um elefante inflável de três metros será instalado em Brasília, no dia 2 de setembro, durante a Sexta Reunião da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), realizada na Universidade de Brasília (UnB). A iniciativa faz parte da campanha “Justiça Tributária Já!”, organizada por entidades da sociedade civil que pedem a aprovação do Projeto de Lei 1087/2025.

A proposta amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, cria um imposto mínimo sobre altas rendas e abre caminho para mudanças no sistema tributário com viés progressivo. Entre os pontos defendidos estão a taxação de grandes fortunas e a revisão de benefícios fiscais.

Com o slogan Tem um elefante na sala”, o movimento compara a injustiça fiscal no país a um problema evidente, mas evitado pelo debate político. Além da Oxfam Brasil, participam do ato o Inesc, o Dieese, a Plataforma Justa, o Instituto Peregum, o Plebiscito Popular e o Instituto Justiça Fiscal.

No campus da UnB, representantes vão distribuir materiais didáticos que explicam como se estruturam os impostos no Brasil. O material inclui cartilhas, adesivos e notas fictícias de R$ 1 bilhão com a imagem do elefante, usadas como panfletos explicativos sobre justiça fiscal.

Cartilhas

O guia Tem um Elefante – Tudo o que você precisa saber sobre justiça tributária reúne 16 páginas. O documento aborda temas como a diferença entre tributação sobre renda e sobre trabalho, o conceito de super-ricos, além de um glossário sobre termos como tributação progressiva, regressiva, impostos sobre consumo, renda, lucros e dividendos.

O material também destaca que o Brasil está entre os países mais desiguais do mundo e relaciona essa condição ao atual sistema tributário, que penaliza mais trabalhadores e mulheres negras.

Atos

A campanha começou em 11 de agosto nas redes sociais das organizações, com vídeos e posts explicando como o sistema de impostos afeta o cotidiano da população. No dia 28 de agosto, o mascote foi exibido no Largo da Batata, em São Paulo, onde ativistas distribuíram materiais educativos.

Dois dias antes, em 26 de agosto, mensagens foram projetadas no prédio do Congresso Nacional com frases como “O sistema tributário é machista e racista” e “O Congresso não quer que os super-ricos paguem a conta”, em referência às distorções da cobrança de impostos.

Desigualdade fiscal

  • 63% da riqueza nacional estão concentrados em 1% da população (Oxfam Brasil)

  • O consumo representa 43% da arrecadação tributária (Banco Central)

  • O 1% mais rico ganha 34 vezes mais que os 50% mais pobres juntos (Oxfam Brasil)

  • Mulheres negras representam 28% da população, mas concentram 14,3% da renda nacional (Inesc)

Vozes

“Queremos desmistificar o sistema tributário brasileiro e convidar a população a se mobilizar”, afirma José Antônio Moroni, do Inesc. Ele ressalta que a percepção negativa sobre impostos favorece os mais ricos, que contribuem proporcionalmente menos.

Para Carolina Gonçalves, coordenadora de Justiça Social e Econômica da Oxfam Brasil, a votação do PL 1087/2025 é decisiva. “A isenção para quem ganha até R$ 5 mil representa cerca de R$ 300 mensais. Mas a conta não pode recair sobre a classe média. É necessário tributar a riqueza e o patrimônio para que o país avance.”

Propostas

  • Tributação de lucros e dividendos

  • Correção da tabela do IRPF

  • Criação de imposto sobre grandes fortunas a partir de R$ 1 milhão por ano

  • Tributação de exportações de commodities

  • Implementação de CIDE ambiental para custear políticas de justiça climática

  • Criação de um Conselho Nacional de Tributação com participação da sociedade civil

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