
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que espera “gestos concretos” do presidente Lula (PT) antes de definir se apoiará ou não o petista nas eleições deste ano. As declarações foram dadas em entrevista à imprensa nesta segunda-feira 10.
“A política se constrói com reciprocidade. Nós temos que nessa construção política entender o que vamos ter de apoios e de gestos para decidir quem vamos apoiar”, afirmou Motta, ao lado do ministro do Turismo, Gustavo Feliciano. “É isso que temos que construir de maneira muito tranquila e respeitosa para com a população do nosso estado”.
No estado, segundo Motta, seu partido integrará a aliança em torno da sucessão do governador João Azevedo (PSB), que deve a indicar seu atual vice, Lucas Ribeiro (PP), para a disputa. Segundo o deputado, a prioridade é consolidar um projeto que “represente aquilo que o estado precisa” e dê continuidade ao atual modelo administrativo, que avalia ter aprovação popular.
Motta também citou como prioridades da composição a possibilidade do seu pai, o prefeito de Patos Nabor Wanderley (Republicanos), ser um dos candidatos ao Senado na chapa.
Esse movimento, no entanto, enfrenta resistências no campo governista. A Executiva Estadual do PT na Paraíba já fechou questão e definiu que pretende apoiar o senador Veneziano (MDB) e o próprio Azevêdo para as duas vagas à Casa Alta.
Questionado sobre o veto de Lula ao PL da Dosimetria, que reduzia penas de golpistas condenados pelo 8 de Janeiro, o presidente da Câmara declarou que trata o tema “com tranquilidade” e afirmou que o Congresso analisará a decisão do Executivo.
“Esse é um assunto que acabou dividindo o Brasil durante todo o ano de 2025. A proposta votada na Câmara dos Deputados foi uma proposta bastante dialogada. Ela teve quase 300 votos”, justificou o paraíbano. “Agora nós temos que, respeitando o direito e a prerrogativa do presidente de vetar as matérias que são aprovadas pelo Congresso, o Congresso irá também, na sua prerrogativa, analisar o veto do presidente”.
A proposta foi barrada pelo presidente da República em ato que relembrou os três anos da invasão bolsonarista às sedes dos Três Poderes, em Brasília. Motta, assim como o presidente do Senado Davi Alcolumbre (União-AP), não participaram da solenidade. Líderes da oposição e do Centrão defendem analisar o veto presidencial logo após o retorno dos trabalhos no Legislativo, em fevereiro.
