
O ex-coach Pablo Marçal (PRTB) firmou um acordo com a Justiça Eleitoral de São Paulo para suspender a ação penal movida após a divulgação de um laudo médico falso contra o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) na eleição de 2024.
A suspensão foi homologada pela Justiça Eleitoral e prevê como condição o cumprimento, durante dois anos, de uma série de medidas, sendo elas:
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Comparecimento pessoal e obrigatório em juízo: trimestralmente, para informar e justificar suas atividades, com início a partir do dia 13/03/2026;
Proibição de ausentar-se da comarca de Barueri: sem prévia autorização judicial, bem como manter o endereço atualizado; - Proibição de frequentar locais específicos: bares, boates e casas de prostituição;
- Prestação Pecuniária: pagamento de no mínimo 5 mil reais, por cada acusado, a ser destinado a entidade Comunidade Terapêutica Acolhedora Filhos da Luz, no prazo de 10 dias, devendo os comprovantes serem juntados aos autos tão logo efetuados os pagamentos.
O advogado Tassio Renam Souza Botelho, que teria feito a publicação, também foi incluído no acordo. “Advirto os réus de que o descumprimento de qualquer das condições ou a superveniência de processo por outro crime ou contravenção poderá ensejar a revogação do benefício”, escreveu a juíza eleitoral Maria Elizabeth de Oliveira Bortoloto, da 386ª Zona Eleitoral de Barueri.
O caso teve origem em uma série de ataques realizados por Marçal ao longo da disputa pela capital paulista. O episódio mais grave ocorreu às vésperas do primeiro turno, quando o então candidato do PRTB publicou nas redes sociais um suposto laudo médico que atribuía a Boulos um “surto psicótico grave”, com “delírio persecutório e ideias homicidas”, além de mencionar uso de cocaína e recomendar internação psiquiátrica. Posteriormente, ficou comprovado que o documento era falso e continha a assinatura forjada de um médico já falecido.
Perícias da Polícia Civil e da Polícia Federal confirmaram a falsidade do documento. Ainda no período eleitoral, a Justiça determinou a retirada do conteúdo das redes, diante dos indícios de fraude e do potencial de desinformação.
Além do laudo falso, Marçal já vinha, segundo os autos, associando Boulos ao uso de drogas em debates televisivos e aparições públicas. Em um debate realizado em agosto de 2024, ele fez gestos simulando o ato de cheirar cocaína ao se referir ao adversário.
