
À margem do Fórum Econômico da América Latina e Caribe, na Cidade do Panamá, o presidente Lula (PT) reuniu-se na noite de terça-feira 27 com o presidente eleito do Chile, José Antonio Kast. O encontro ocorreu pouco mais de um mês após a vitória de Kast e foi o primeiro contato entre os dois líderes, que têm trajetórias e posições ideológicas distintas.
Segundo nota oficial divulgada pela Presidência da República, a reunião durou cerca de uma hora e meia e teve como foco a manutenção e o aprofundamento das relações bilaterais. De acordo com o governo, os dois líderes reafirmaram a importância estratégica do vínculo entre Brasil e Chile e sinalizaram disposição para ampliar a cooperação em áreas como infraestrutura, energia renovável, comércio e turismo.
Ainda conforme a nota, Lula destacou o papel do programa Rotas de Integração Sul-americana, ressaltando que a iniciativa “está estruturando dois corredores bioceânicos que utilizarão portos chilenos para facilitar a integração entre Brasil, Bolívia, Paraguai, Argentina e Chile”, com o objetivo de fortalecer a conectividade regional.
O comunicado também informa que houve convergência quanto à necessidade de promover a estabilidade regional, reforçar a segurança pública e intensificar ações conjuntas de combate ao crime organizado. Ao final do encontro, Lula e Kast orientaram que os chanceleres dos dois países se reúnam nos próximos meses para “explorar novas áreas de cooperação e aprofundar ainda mais as relações bilaterais”.
Do lado chileno, Kast classificou a reunião como “muito boa” e afirmou que o diálogo teve caráter pragmático, com foco nos interesses comuns dos dois países. Em declarações a jornalistas após o encontro, o presidente eleito ressaltou que as diferenças ideológicas ficaram em segundo plano e que a relação entre Brasil e Chile deve ser tratada como uma relação de Estado.
Kast destacou como pontos centrais da conversa a integração regional, especialmente por meio dos corredores bioceânicos, além de temas como energia, turismo, tecnologia e segurança pública. Para o presidente eleito, o combate ao crime organizado exige cooperação entre os países da região, já que se trata de um desafio transnacional.
Questionado sobre a situação política da Venezuela, Kast evitou comentar se o tema foi tratado na reunião.
