Uma exposição com desenhos do chargista Carlos Latuff marcou a reabertura parcial do Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. A construção, sede do Museu da República, guarda parte do acervo histórico do presidente Getúlio Vargas. O Palácio esteve fechado desde fevereiro para a realização de obras.
Os trabalhos da mostra “Crônicas de uma Barbárie” foram produzidos durante a pandemia de Covid-19 e apresenta uma visão crítica sobre os impactos desse período.
Organizada em três núcleos, a primeira sala traz o contexto político que antecedeu a pandemia e apresenta um pouco do universo de Latuff, com por exemplo seus materiais de trabalho. : Na segunda sala está o foco central da exposição: trabalhos que abordam a tragédia do período, a morte de milhares de brasileiros. E, na terceira parte, Latuff faz uma homenagem aos profissionais da saúde e de instituições que atuaram no combate ao negacionismo e na promoção da vacinação.
O chargista fala sobre a importância desses profissionais.
“Os profissionais de saúde também são mencionados nessa exposição, porque eu também acompanhava o trabalho deles né. Quando se dizia assim, linha de frente da Covid-19, a aparência que tanto é enfermeiros, principalmente os enfermeiros, mas médicos, toda a equipe de apoio dos hospitais, haviam fotos desses profissionais, a impressão que se tinham é que eram pessoas saídas de algum campo de batalha realmente, de algum front de batalha, de guerra. Era realmente impressionante. E muitos desses profissionais também perderam a vida né”.
Latuff ainda destaca a homenagem aos artistas que morreram de Covid-19.
“Foram vários artistas que perderam a vida vítimas da pandemia do coronavírus, mas na minha exposição eu cito dois em particular, que é o Paulo Gustavo e o Aldir Blanc, cujos nomes inclusive batizaram duas leis federais de auxílio e fomento à cultura, principalmente durante a pandemia e claro depois dela. Mas não somente os artistas, nós perdemos famílias inteiras vitimadas por esse vírus. Foi realmente uma tragédia, 700 mil pessoas em números oficiais”.
Essa não é a primeira vez que Latuff trabalha em parceria com o Museu da República. A relação do artista com a instituição começou em 2018, quando ele realizou a primeira de uma série de doações de charges.
Atualmente, o acervo conta com cerca de 2.000 obras do chargista, incluindo desenhos, publicações, fotografias e materiais pessoais, como suas canetas de trabalho. A coleção reúne, em sua maior parte, charges que denunciam violações de direitos humanos, desigualdades sociais e questões políticas e econômicas, tanto no Brasil quanto no mundo.
A mostra “Crônicas de uma Barbárie” foi inaugurada no dia 16 de julho e tem previsão de duração de 3 meses. A entrada é gratuita.