
A Espanha e a Alemanha recusaram, nesta sexta-feira, o convite de Donald Trump para fazer parte do “Conselho da Paz”, mecanismo promovido pelos Estados Unidos para monitorar a paz na Faixa de Gaza e em outras regiões do mundo. O presidente norte-americano instalou o mecanismo na última quinta-feira 22.
Segundo o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, a recusa se dá em respeito à “coerência com o compromisso de Madri com o direito internacional, a ONU e o multilateralismo”. Friedrich Merz. chanceler da Alemanha, criticou o plano apresentado por Trump, citando barreiras da constituição alemã.
“Na forma como o Conselho da Paz está atualmente estruturado, não podemos aceitar suas estruturas de governança na Alemanha por razões constitucionais”, afirmou.
O presidente Lula (PT) também foi convidado para integrar o mecanismo, porém ainda não deu uma resposta ao governo dos EUA. O entorno do petista ainda avalia como responder ao convite.
Em um evento realizado nesta sexta-feira 23, em Salvador, o petista criticou o que chamou de “proposta de criar uma nova ONU”. O presidente também afirmou que o mundo vive um momento “muito crítico” do ponto de vista político e declarou que a Carta das Nações Unidas está sendo “rasgada”.
O “Conselho de Paz” foi concebido por Trump inicialmente para supervisionar a reconstrução de Gaza no pós-guerra, mas seu estatuto não limita sua função ao território palestino. Para se unir de forma permanente a esse grupo, que afirma promoverá a “estabilidade mundial”, seus membros deverão pagar até 1 bilhão de dólares (5,38 bilhões de reais).
Ele será presidido pelo próprio Trump, que também “atuará separadamente” como representante dos Estados Unidos.
