Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar inicia a sessão desta terça-feira (20) de olho no cenário interno e externo. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h.
As atenções dos investidores se voltam para um novo aumento das tensões entre Estados Unidos e Europa. Declarações recentes e eventos políticos reforçaram a cautela nos mercados, em meio a temores de retaliações comerciais e questionamentos institucionais.
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▶️ As tensões comerciais entre EUA e Europa seguem no radar depois que líderes europeus classificaram como “inaceitáveis” as ameaças de tarifas feitas por Donald Trump. Países do bloco já avaliam possíveis contramedidas.
A França pressiona a União Europeia a acionar seu mecanismo mais duro de retaliação econômica, conhecido como Instrumento Anticoerção. O movimento ocorre após Trump ameaçar impor tarifas a oito países europeus contrários à tentativa americana de ampliar o controle sobre a Groenlândia.
▶️ Além disso, investidores acompanham o início do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Trump deve discursar amanhã e afirmou que pretende se reunir com “diversas partes” para defender sua posição sobre a importância estratégica da ilha.
▶️ Nesta terça-feira, também está prevista a audiência da diretora do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Lisa Cook, na Suprema Corte dos EUA, após uma tentativa de demissão por parte de Trump. O caso é visto como um teste relevante para a independência do banco central americano.
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Ameaça de Trump à Groelândia
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou no sábado (17) que pretende impor uma tarifa de 10% sobre produtos importados de oito países europeus a partir de 1º de fevereiro de 2026. A medida seria adotada caso esses países se posicionem contra o plano dos EUA de comprar a Groenlândia, território localizado no Ártico e que pertence à Dinamarca.
Em publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia passarão a pagar uma taxa adicional de 10% sobre todas as mercadorias enviadas aos EUA.
“A partir de 1º de fevereiro de 2026, todos os países (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) estarão sujeitos a uma tarifa de 10% sobre todas as mercadorias enviadas aos EUA. Em 1º de junho de 2026, a tarifa será aumentada para 25%.”
Trump declarou ainda que essas cobranças permanecerão em vigor até que seja fechado um acordo para a “compra completa e total” da Groenlândia pelos EUA.
Diante do aumento das ameaças, países da União Europeia avaliam medidas de retaliação. Entre as opções em discussão estão a aplicação de tarifas de € 93 bilhões — cerca de R$ 580 bilhões — sobre produtos americanos ou a restrição do acesso de empresas dos EUA ao mercado europeu. As informações foram divulgadas pelo “Financial Times”.
Ao mesmo tempo, os governos europeus buscam uma saída intermediária que evite um rompimento mais profundo na aliança militar ocidental. Autoridades avaliam que um desgaste prolongado nas relações com os EUA poderia representar uma ameaça séria à segurança da Europa.
Segundo o “Financial Times”, as tarifas de retaliação da União Europeia já estavam preparadas desde o ano passado, mas haviam sido suspensas até 6 de fevereiro. Com o novo anúncio de Trump, o tema voltou à mesa de negociações neste domingo.
Também entrou em discussão o uso do chamado “instrumento anticoerção”, um mecanismo que permitiria à União Europeia limitar ou dificultar a atuação de empresas americanas dentro do bloco como resposta a pressões econômicas externas.
Agenda econômica
Boletim Focus
Os economistas do mercado financeiro reduziram levemente a previsão de inflação para 2026, de 4,05% para 4,02%. A estimativa faz parte do Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Banco Central (BC).
Para os anos seguintes, as expectativas permaneceram estáveis: o mercado projeta inflação de 3,80% em 2027 e de 3,50% tanto em 2028 quanto em 2029.
Depois de a taxa básica de juros da economia, a Selic, ter encerrado 2025 em 15% ao ano — o maior patamar em quase duas décadas, adotado pelo BC para tentar conter a inflação —, os analistas seguem apostando em uma redução dos juros ao longo deste ano.
Para o fim de 2026, a projeção foi mantida em 12,25% ao ano, o que indica uma queda de 2,25 pontos percentuais em relação ao nível atual.
A expectativa para 2027 também não mudou: o mercado continua projetando a Selic em 10,50% ao ano ao final desse período.
No campo da atividade econômica, a previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 foi mantida em alta de 1,80%. Esse ritmo é menor do que os cerca de 2,25% estimados para 2025, indicando uma desaceleração da economia no próximo ano.
Já para o câmbio, os economistas mantiveram a projeção de que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,50.
Bolsas globais
Em dia de feriado nos EUA, os mercados em Wall Street permaneceram fechados nesta segunda-feira.
Na Europa, o clima foi marcado por tensão depois de o presidente Donald Trump ameaçar aumentar em 10% as tarifas sobre produtos de oito países europeus que se opõem à ideia de os EUA assumirem o controle da Groenlândia.
No fechamento, o índice pan-europeu STOXX recuou 1,23%. Entre as principais bolsas da região, o FTSE 100, de Londres, caiu 0,39%, enquanto o DAX, de Frankfurt, recuou 1,34%. Em Paris, o CAC 40 teve a maior queda do dia, com perda de 1,78%.
Na Ásia, o movimento foi misto, influenciado por novos números que mostraram um crescimento econômico mais fraco na China — o menor em três anos —, por causa da queda na demanda interna.
Os mercados também reagiram às medidas recentes do banco central chinês, que reduziu taxas específicas e sinalizou possíveis cortes adicionais para estimular a economia.
No fechamento, o índice de Xangai subiu 0,29% para 4.114 pontos, enquanto o CSI300 avançou 0,05% para 4.734 pontos. O Hang Seng caiu 1,05% para 26.563 pontos.
No Japão, o Nikkei recuou 0,6% para 53.583 pontos. O Kospi, da Coreia do Sul, subiu 1,32% para 4.904 pontos; o Taiex, de Taiwan, avançou 0,73% para 31.639 pontos; e o Straits Times, de Cingapura, caiu 0,51% para 4.824 pontos.
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