BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi intimado pela Polícia Federal a prestar depoimento no fim de janeiro no âmbito das investigações sobre a tentativa de venda ao BRB (Banco de Brasília).
Além de Vorcaro, outros ex-executivos, como o ex-sócio dele Augusto Lima, também tiveram o depoimento marcado.
O interrogatório de Vorcaro está previsto para o dia 27, e ainda não está definido se ela ocorrerá na sede da PF ou no STF (Supremo Tribunal Federal), como nos depoimentos de 30 de dezembro. O empresário pode optar por falar por videoconferência ou presencialmente.
A expectativa de pessoas que acompanham as apurações é que a PF faça perguntas mais duras, com o objetivo de colher contradições em relação ao depoimento colhido durante o recesso, no dia da acareação do ex-banqueiro com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
As perguntas ajudaram a embasar o inquérito contra o dono do Master.
Ainda não se sabe se o banqueiro, que está morando em São Paulo, participará presencialmente ou se de maneira remota -a PF franqueou a opção, assim como ocorreu em dezembro. Na ocasião, Vorcaro pediu autorização ao ministro Dias Toffoli, do STF, para depor pessoalmente em Brasília.
Desde que teve a prisão preventiva revogada, em 28 de novembro, o ex-banqueiro está usando tornozeleira eletrônica e precisa pedir autorização da Justiça para se deslocar.
Além de Vorcaro e Lima, a PF vai interrogar entre o fim de janeiro e o início de fevereiro o ex-diretor de riscos do Master, Luiz Antônio Bull, e o também ex-sócio Ângelo Antônio Ribeiro da Silva. O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e outros ex-integrantes do banco estatal de Brasília também prestarão depoimentos.
Este será o segundo depoimento de Costa à Polícia Federal.
Vorcaro e Costa passaram por uma acareação sobre divergências em relação à venda de R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes, segundo os investigadores, do Banco Master para o BRB. Esse será o tema das oitivas do fim de janeiro.
O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, responsável por supervisionar as instituições, prestou depoimento, mas ficou de fora da acareação.
No primeiro depoimento, além de responder a perguntas da delegada da PF Janaina Palazzo e do Ministério Público Federal, Vorcaro também foi interrogado com perguntas elaboradas pelo gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo.
Foram feitas a Vorcaro ao menos 80 perguntas elaboradas pelo ministro em depoimento que durou quase três horas.
O processo é sigiloso. Desde o começo de dezembro, diligências e medidas ligadas à investigação sobre o Master e Vorcaro têm que passar pelo crivo de Toffoli, por decisão do próprio magistrado.
A investigação sobre a tentativa de venda do Master apontou que, antes mesmo da formalização do negócio, o banco teria forjado e vendido cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado para o BRB -R$ 6,7 bilhões em contratos falsos e R$ 5,5 bilhões em prêmios, o valor que supostamente a carteira valeria, mais um bônus.
O escândalo do Master levou à liquidação do banco em 18 novembro.
