O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) deu, nesta sexta-feira 29, mais uma declaração que evidencia o incômodo de membros do clã com Tarcísio de Freitas (Republicanos), ex-ministro de Bolsonaro e atual governador de São Paulo.
Segundo o parlamentar, se o político – que até então é um aliado de primeira ordem de seu pai, Jair Bolsonaro – se filiar ao PL, o clã do ex-presidente deve desembarcar da legenda. A declaração foi dada ao site Metrópoles. “De fato é algo que a gente pensa [sair do PL, se Tarcísio se filiar]”, destacou. “Porque, da maneira que as coisas estão caminhando, existe um direcionamento para apagar a família Bolsonaro do cenário político”, explicou, em seguida.
A filiação de Tarcísio ao PL foi citada, dias antes, por Valdemar Costa Neto, presidente do partido. De acordo com o ex-deputado, o governador de SP iria para a legenda para ser o candidato à Presidência no lugar de Bolsonaro, que está inelegível e preso domiciliarmente em Brasília. O ex-capitão tem dificuldades em reverter sua situação jurídica e pode sofrer, ainda em 2025, uma condenação por golpe de estado que o levaria ao regime fechado. O julgamento começa na próxima terça-feira 2.
“O Tarcísio já declarou na semana passada, em jantar com governadores, que se for candidato a presidente no ano que vem, que ele assina com o PL. Antes disso, há um ano e meio, ele já havia falado isso para mim. Mas hoje ele é candidato a governador e está em outro partido”, declarou Valdemar na última segunda-feira 25.
Outras críticas a Tarcísio
Na mesma entrevista em que revelou que sairá do PL caso Tarcísio se filie, Eduardo fez diversas críticas ao aliado. Disse, entre outras coisas, que o político não teria dado cargos para a família do ex-presidente no atual governo de SP. Ele reclamou, ainda, de não ter conseguido sequer emplacar indicações em secretarias do estado.
“Se ele for eleito, fica difícil ter uma participação nossa [no governo]. Qual é o secretário bolsonarista que existe no governo Tarcísio? Não tem, mas tem pessoas ali que são ligadas ao PSOL”, criticou Eduardo. “Eu tentei colocar o secretário de Cultura. O nome não foi aceito, e foi colocada uma pessoa que já foi secretária de cultura do governo de Fernando Haddad (PT)”, reclamou, então.
O pano de fundo da briga
As críticas de Eduardo a Tarcísio, convém registrar, não são sem contexto. O deputado, que atualmente está nos Estados Unidos liderando uma trama contra autoridades brasileiras, tenta se cacifar como o substituto do pai na eleição do ano que vem. Ele já mencionou, recentemente, o desejo de ser candidato ao cargo.
Até então a disputa interna na extrema-direita era travada nos bastidores, mas foi sendo evidenciada tão logo a situação judicial de Bolsonaro se complicou, com a determinação de prisão domiciliar. Na ocasião, além de Eduardo, outro filho do ex-capitão, o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), foi a público reclamar da omissão de aliados no caso e chegou a chamar governadores da direita, entre eles Tarcísio, de ‘ratos’.
Uma discordância sobre o tarifaço também gerou ataques do clã contra Tarcísio. O estopim da crise, porém, se deu em meados de agosto, quando a Polícia Federal resolveu indiciar Eduardo e Jair por uma tentativa de obstruir as investigações da trama golpista. Ao listar ao Supremo Tribunal Federal os crimes cometidos pela dupla, a corporação revelou mensagens apreendidas no celular do ex-capitão. Em uma delas, Eduardo menciona Tarcísio e chega a xingar o próprio pai.
“Eu ia deixar de lado a história do Tarcísio, mas graças aos elogios que vc fez a mim no Poder 360 estou pensando seriamente em dar mais uma porrada nele, para ver se vc aprender”, escreveu o deputado ao pai. “VTNC SEU INGRATO DO CARALHO!”, finalizou na mensagem (a reportagem manteve erros gramaticais cometidos pelo parlamentar). Na ocasião, Bolsonaro havia chamado Eduardo de ‘imaturo’, em uma entrevista ao site de Brasília.
Filiados ao PL
Além de Eduardo e Jair, o PL abriga outros quatro membros da família Bolsonaro. São eles:
Nenhum deles, convém registrar, confirmou a declaração de Eduardo sobre a possibilidade de desfiliação. Valdemar, presidente da sigla, também não fez comentários. Tarcísio, por fim, tem evitado responder publicamente ao deputado.