Com saída dos EUA, OMS prevê corte orçamentário de 20% – Mundo – CartaCapital

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou neste sábado 24 que os motivos alegados pelos Estados Unidos para anunciar sua retirada da agência são “falsos”.

Apenas algumas horas após ser empossado no cargo, em 20 de janeiro de 2025, o presidente Donald Trump assinou um decreto para que seu país deixasse a OMS. O procedimento dura um ano.

O diretor-geral da OMS lamenta a retirada porque, segundo ele, torna os Estados Unidos e o mundo “menos seguros”.

“Infelizmente, os motivos citados para a decisão dos Estados Unidos de se retirar da OMS são falsos”, declarou Ghebreyesus na rede social X.

A agência de saúde da ONU “sempre manteve o compromisso com os Estados Unidos e todos os Estados-membros, com pleno respeito à sua soberania”, reforçou o etíope.

Na quinta-feira, o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, e o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., anunciaram em um comunicado conjunto que Washington havia se retirado formalmente da OMS.

Eles acusaram a agência de numerosos “fracassos durante a pandemia de Covid-19” e de agir “repetidamente contra os interesses dos Estados Unidos”.

A Organização Mundial da Saúde não confirmou que a retirada tenha sido concretizada.

Segundo Rubio e Kennedy Jr., a OMS “desprestigiou e maculou” os Estados Unidos e comprometeu sua independência. “O fato é o contrário”, rebateu a agência em um comunicado.

A OMS mostrou-se muito incomodada com a acusação de Rubio e Kennedy de que, em sua resposta à pandemia, teria “obstruído o intercâmbio oportuno e preciso de informações críticas que poderiam ter salvado vidas de americanos e depois ocultado esses fracassos”.

Kennedy também sugeriu no X que a OMS era responsável “pelos americanos que morreram sozinhos em casas de repouso e pelos pequenos negócios que foram destruídos por ordens imprudentes” de usar máscaras e se vacinar.

Tedros alertou no X que o comunicado “contém informações imprecisas”.

A OMS destaca que, quando Washington se juntou à organização em 1948, reservou-se o direito de se retirar, desde que desse um ano de aviso e tivesse cumprido “com suas obrigações financeiras”.

Mas Washington não pagou suas contribuições de 2024 ou 2025 e deve cerca de 260 milhões de dólares.

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