O ToqueTec traz um alerta para quem treina vendo feed: usar o celular durante o exercício não é inofensivo. Pesquisas mostram que mexer no smartphone entre séries reduz volume total de treino, aumenta a fadiga mental e piora a sensação de produtividade. A boa notícia é que iPhone e Android já têm recursos nativos para transformar o celular de vilão em aliado do foco.
Como o celular atrapalha o treino
Estudos com praticantes de musculação indicam que quem se distrai no smartphone para conversar, jogar ou ver redes sociais durante o treino faz menos repetições, usa menos carga e relata pior concentração do que quem deixa o aparelho de lado. A explicação passa por “fadiga mental induzida pelo smartphone”: a mente sai e volta o tempo todo, o que aumenta o esforço percebido e reduz a disposição para empurrar mais uma série. No dia a dia, isso aparece como treino arrastado, mais tempo sentado do que em movimento e sensação de que “não rendeu”.
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Pavl-off e apps que travam redes até você se mexer
Uma resposta a esse problema são gadgets como o Pavl-off. O dispositivo funciona como um pequeno sensor de movimento, que se conecta ao celular por bluetooth e, via aplicativo, bloqueia redes sociais até que o usuário faça uma quantidade mínima de atividade física. O usuário escolhe quais apps quer bloquear, define uma meta de movimento e “ganha” o direito de usar Instagram ou TikTok depois de cumprir o combinado.
Na mesma linha, o app Steppin, para iOS, só libera redes sociais, jogos e streaming depois que a pessoa atinge uma meta de passos definida no dia. Há ainda alternativas como o StepBloc e outros bloqueadores que trocam minutos de scroll por passos, caminhada ou exercícios simples.
O que dá para automatizar no iPhone
Sem comprar nada, o iPhone já oferece ferramentas úteis:
- Modo Foco “Treino”: é possível criar um modo de Foco específico para exercício, bloqueando notificações de mensagens, redes sociais e e-mail e liberando apenas ligações de emergência ou contatos escolhidos.
- Ativar Foco ao começar o treino: quem usa Apple Watch pode configurar, em Ajustes > Foco > Fitness, para que o modo de Foco de treino entre automaticamente sempre que um treino for iniciado no relógio. Assim, ao apertar “Iniciar treino”, o iPhone reduz distrações sozinho.
- Atalhos (Shortcuts): o app Atalhos permite criar automações que ativam o modo Foco ao abrir um app de treino ou ao conectar fones bluetooth usados só na academia. Dá para, por exemplo, ligar o Foco Treino, abrir o app de música e iniciar o cronômetro com um toque.
Com isso, o aparelho continua útil para contar séries, tocar música e registrar o exercício, mas silencia o resto.
E no Android?
No Android, os caminhos mudam, mas a ideia é igual:
- Modo Foco e Bem-estar Digital: em Ajustes > Bem-estar digital, o modo Foco permite escolher “apps distrações” (como redes sociais, mensageiros e jogos) e pausá-los durante o período de treino. Quando o modo está ativo, esses apps não enviam notificações e, ao tentar abrir, exibem um aviso de bloqueio.
- Cronograma ou atalho rápido: o modo Foco pode ser acionado rapidamente pela barra de atalhos na tela, ou agendado para horários em que você costuma treinar.
- Temporizadores de apps: ainda no Bem-estar Digital, é possível definir “tempo 0” para certos apps em determinado horário, impedindo que sejam abertos enquanto durar o treino.
- Rotinas em aparelhos Pixel e alguns Android: dispositivos como o Pixel permitem criar automações (rotinas) que, ao iniciar um treino em app de fitness ou ao iniciar um temporizador de exercício, ativam o Não Perturbe, abrem o app de treino e até iniciam uma playlist.
Para quem usa smartwatch com Android (como Pixel Watch ou modelos com Fitbit), a lógica é parecida com a do Apple Watch: ao iniciar um treino no relógio, dá para combinar isso com ativação automática do Não Perturbe no celular.
Virando o jogo na prática
Montar um “perfil de treino” no celular é uma forma simples de proteger sua hora de exercício em casa ou na academia. No iPhone, isso passa por modo Foco de treino, automatizado via Apple Watch ou Atalhos. No Android, pelo uso combinado de Bem-estar Digital, modo Foco e rotinas. Quem quiser ir além pode recorrer a dispositivos como Pavl-off ou apps que trocam minutos de tela por passos, reforçando o compromisso com o movimento.
A ideia não é demonizar o smartphone, mas redesenhar o papel dele: menos distração, mais registro, música e apoio. Quem treina com o corpo presente e a mente menos fragmentada tende a aproveitar melhor cada sessão – e sai do treino com a sensação de que o tempo na academia, ou no cantinho de exercício em casa, valeu realmente a pena.
