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Maior exportador mundial de carne bovina, o Brasil não fatura apenas com a venda de cortes nobres como picanha, alcatra e contrafilé. No ano passado, o setor faturou US$ 604,9 milhões com o envio ao exterior de miudezas, que vão de vísceras e tripas até o pênis do animal, conhecido como vergalho.

Muitos desses produtos não têm grande consumo no Brasil, mas são valorizados em mercados da Ásia, África e América Latina, onde fazem parte de pratos tradicionais ou são utilizados pela indústria alimentícia, segundo o Instituto Mato-grossense da Carne (Imac).

Nesse grupo estão incluídos órgãos como coração, rins, estômago e intestinos; partes da cabeça, como bochecha, língua e miolo; além de rabo, diafragma, tendões, pâncreas e testículos.

No caso do vergalho bovino, um dos principais destinos internacionais é Hong Kong, onde o valor da tonelada pode chegar a US$ 6 mil. O produto é exportado na forma in natura, seguindo rigorosos protocolos sanitários.

Em algumas culturas asiáticas, como na medicina tradicional chinesa, o órgão também é considerado afrodisíaco, sendo utilizado em preparações cozidas, ensopadas e pratos típicos. Além disso, é valorizado pela textura e pela capacidade de absorver temperos e caldos.

As diferentes demandas culinárias ajudam a sustentar um comércio estável por subprodutos bovinos menos convencionais ao paladar ocidental, ampliando as oportunidades para países exportadores como o Brasil.

“A comercialização do vergalho in natura é contínua, com volume médio mensal entre quatro e cinco toneladas”, diz Alan Gutierrez, gerente de marketing da SulBeef, uma das indústrias mato-grossenses autorizadas a exportar o subproduto. Segundo ele, a regularidade das vendas demonstra a existência de um mercado consolidado para esses produtos.

Para o diretor de Projetos do Imac, Bruno de Jesus Andrade, esse mercado evidencia a força e a competitividade da pecuária do Mato Grosso. O estado é o principal exportador de carne bovina do Brasil, responsável por 23,1% dos embarques nacionais do setor em 2025.

“Mato Grosso tem uma pecuária robusta, eficiente e cada vez mais alinhada às exigências internacionais. A capacidade de acessar diferentes mercados, inclusive para subprodutos, mostra o nível de organização da cadeia produtiva e o potencial do estado em agregar valor em todas as etapas”.

“Quando ampliamos o portfólio e atendemos mercados com diferentes perfis de consumo, fortalecemos a economia, reduzimos riscos e aumentamos a competitividade da carne produzida em Mato Grosso no cenário global”, acrescenta.

Hong Kong é principal destino de miudezas bovinas do Brasil

Em 2025, o Brasil exportou 267,3 mil toneladas de miúdos bovinos, que corresponderam a um valor total de US$ 604,9 milhões. Na comparação com o mesmo período de 2024, houve um aumento de 20,6% no faturamento com as vendas externas desses produtos.

O principal destino foi Hong Kong, que adquiriu 23,4% das miudezas comercializadas pelo Brasil no ano passado, gerando US$ 168,9 milhões aos exportadores brasileiros.

Somente para esse destino, as vendas de cortes menos nobres somaram 62,6 mil toneladas, incluindo 8,2 mil toneladas de tripas, 6,7 mil toneladas de língua e mais de meia tonelada de rabo.

Outros grandes importadores de miudezas incluem a Rússia, que comprou 26,2 mil toneladas de peças como língua, fígado e tripas, entre outras miudezas; o Egito, que importou 31 mil toneladas; e a Costa do Marfim, que adquiriu 22,3 mil toneladas.

Ao todo, 128 países importaram miudezas do rebanho brasileiro em 2025. No ano passado, sete novos mercados foram abertos para esse tipo de subproduto bovino: Filipinas, Indonésia, Marrocos, Tanzânia, Sarawak (estado da Malásia com certificação própria), São Vicente e Granadinas e Quênia.

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