Líder Supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, discursa durante uma reunião em Teerã, em 1º de fevereiro de 2026, às vésperas do 47º aniversário da Revolução Islâmica de 1979

“Os americanos devem saber que, se começarem uma guerra, desta vez será uma guerra regional.” A declaração do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, ocorreu neste domingo (1°) durante a celebração do 47º aniversário da Revolução Islâmica de 1979. A advertência é tida como uma resposta às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a um potencial ataque militar contra o país.

O aiatolá lembrou que o Irã não é o instigador do conflito e que “não quer atacar nenhum país”, mas que Teerã “desferirá um duro golpe contra qualquer um que a ataque e a assedie”.

Durante o pronunciamento, Khamenei disse também que a onda de manifestações que se espalhou por Teerã e outras grandes cidades do país assemelha-se a um golpe de Estado.

“Eles [os manifestantes] atacaram a polícia, centros governamentais, centros da IRGC [Corpo de Guardas da Revolução Islâmica], bancos e mesquitas, e queimaram o Alcorão.” “Foi como um golpe,” ressaltou Khamenei, acrescentando que “o golpe foi reprimido”.

As manifestações no Irã começaram como uma expressão de descontentamento com o alto custo de vida, mas cresceram para se tornar um movimento de massa anti-governo que os líderes do país descreveram como “distúrbios” fomentados pelos Estados Unidos e por Israel.

Teerã reconheceu mais de três mil mortes durante os protestos, mas diz que a maioria era membro das forças de segurança e transeuntes inocentes, atribuindo a violência a “atos terroristas”.

Contudo, organizações de direitos humanos denunciam haver mais de seis mil vítimas.

Negociação

No sábado (31), o presidente dos Estados Unidos disse que o Irã negocia com o governo estadunidense um acordo sobre seu programa nuclear. “Espero que negociem algo aceitável”, comentou a repórteres durante uma viagem à Flórida, acrescentando que Teerã deveria aceitar um tratado sem armas nucleares.

Teerã, por sua vez, disse que está pronto para negociações nucleares se suas capacidades de mísseis e defesa não estiverem na agenda.

O presidente iraniano Masoud Pezeshkian disse no sábado que “uma guerra não seria do interesse nem do Irã, nem dos Estados Unidos, nem da região”.

*Com informações da AFP e da Telesur

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