Acordo abre caminho para 'projetos conjuntos' sobre terras raras brasileiras, diz von der Leyen – CartaCapital

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou nesta sexta-feira 15, ao lado do presidente Lula (PT), que o acordo UE-Mercosul abre caminho para projetos conjuntos em terras raras, insumos cruciais para a transição energética e para o desenvolvimento de novas tecnologias. As declarações foram dadas em coletiva de imprensa após uma reunião entre ambos, no Rio de Janeiro.

“Isso vai moldar nossa cooperação em projetos de investimento conjunto em lítio, níquel e terras raras. É a chave para a nossa transição digital e limpa, e também para a independência estratégica, num mundo em que os minerais tendem a ser instrumento de coerção”, disse.

Von der Leyen desembarcou em território brasileiro na véspera da cerimônia de assinatura do arranjo, marcado para sábado em Assunção, no Paraguai. A previsão era que o acordo tivesse sido assinado ainda em 2025, quando Brasil estava na presidência do Mercosul. Com o atraso na aprovação do tratado, a assinatura ficou para este ano.

“Esse acordo vai multiplicar oportunidades como nunca antes, com acesso mútuo a mercados estratégicos, regras claras e previsíveis, padrões em comum e cadeias de suprimentos que se tornam vias para investimentos”, afirmou a líder europeia. Ela afirmou ainda que a parceria dá “boas-vindas ao maior mercado e zona de livre comércio do planeta”, reforçando o poder da aliança, defendendo também que o comércio internacional não pode ser um jogo de “zero a zero”, devendo trazer benefícios para os dois lados.

O aceno europeu em relação às terras raras ocorre no mesmo momento em que os Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, passaram a demonstrar interesse direto nos minerais estratégicos brasileiros. O País detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China, mas ainda exporta grande parte desses insumos sem processamento.

A cobiça pelas terras raras – um grupo de 17 elementos químicos essenciais para turbinas eólicas, carros elétricos, chips, equipamentos médicos e tecnologias militares – tem como pano de fundo a corrida geopolítica que opõe a China aos EUA e à Europa. O interesse desses últimos é diversificar fornecedores para reduzir dependências estratégicas, já que o País chefiado por Xi Jinping domina o refino e o processamento dos minerais.

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