O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), disse nesta sexta-feira 28 que para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), talvez “não seja relevante o ambiente ser democrático ou não”.
Trata-se de uma alfinetada no chefe do Executivo paulistano, que, horas antes, afirmou ver a possibilidade de o julgamento contra Jair Bolsonaro (PL) no inquérito do golpe virar uma “anarquia institucional”.
“Tem uma diferença de cultura”, disse Haddad, em um evento promovido por Galapagos Capital e Arko Advice. “Para mim, esse debate é relevante. Não acredito que não seja um tema correto julgar um presidente que tenha tido o comportamento que o Bolsonaro teve. Talvez, para o Tarcísio, não seja relevante o ambiente ser democrático ou não”.
O ministro acrescentou desconhecer a opinião de Tarcísio sobre a ditadura militar. “Acredito que deva ser favorável, pela formação dele e pela proximidade com o Bolsonaro. Para mim, que sou professor de ciência política, a coisa mais relevante do mundo é a liberdade. A ditadura é uma coisa muito séria, é muito grave.”
Nesta semana, o Supremo Tribunal Federal tornou Bolsonaro e sete aliados réus no inquérito que investiga a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Após o julgamento, o governador foi às redes sociais defender seu ex-chefe. “Sabemos que esse não é o primeiro e não será o último desafio a ser enfrentado, mas sabemos também que a verdade prevalecerá”, escreveu.
Durante o evento em São Paulo, Haddad ainda rechaçou alegações de que o avanço das investigações contra o ex-presidente pode “desviar a atenção” da agenda econômica do governo Lula.
“Desviar a atenção é o que eles fazem nas redes sociais, falando besteira o tempo todo, inventando fake news. Para mim, o relevante é discutir a atitude das pessoas, sobretudo as investidas no cargo de ministro, de presidente, de governador. Me parece muito equivocado querer varrer para baixo do tapete o que aconteceu no Brasil.”