Livro disseca o disco que colocou o Brasil no centro do trabalho do Sepultura – CartaCapital

Há quem diga que Roots (1996) foi o melhor disco da banda de heavy metal brasileira Sepultura, enquanto outros atribuem esse título a Chaos A.D. (1993), por ter sido o embrião de seu sucessor – e tão bom quanto ele.

Disputas à parte, o livro Sepultura: Chaos A.D. (Editora Cobogó; 176 pág.), de Vinicius Castro, esmiúça o emblemático disco de 1993, antes do qual a banda já havia lançado cinco trabalhos.

No lançamento do disco, faziam parte da banda os irmãos Max Cavalera (vocal e guitarra) e Iggor Cavalera (bateria), Andreas Kisser (guitarra) e Paulo Jr. (baixo) – os dois últimos são os únicos a permanecer até hoje no grupo, que se desfará no ano que vem.

Vale ressaltar que mesmo antes de Chaos A.D., o Sepultura era reconhecido em seu segmento e já fazia turnês no exterior, principalmente devido ao disco Arise (1991).

O que levou Chaos A.D. ao suceso foi colocar o Brasil no centro do trabalho, com grande audácia. As letras trataram de repressão e revolta, e a sonoridade, com a incorporação de ritmos brasileiros e sem tirar a força do metal, foi chave para viabilizar um resultado original e potente.

O livro conta as peculiaridades do álbum e o que influenciou os integrantes da banda a produzir o disco. O Sepultura foi ousado com Chaos A.D., pois, mesmo contando com influência internacional, resolveu se desafiar — e deu certo. 

Chaos A.D. foi a consolidação no exterior do Sepultura, a maior banda do Brasil em termos de sucesso lá fora. Um aspecto importante é que a obra furou a bolha do grupo, antes mais restrito aos fãs de death e trash metal. 

O disco foi gravado no Rockfield Studio, em uma área rural no País de Gales. Emblemático, o estúdio já abrigou diversas gravações de notórias bandas inglesas. 

O livro também destaca a importância de Andreas Kisser no disco, como instrumentista e compositor. Não à toa, ele é considerado um dos maiores guitarristas brasileiros.

O Sepultura faz sua turnê de despedida desde o ano passado, percorrendo vários palcos pelo mundo. A banda, criada em 1984, deve fazer seu último show em 2026. O livro, portanto, vem em bom momento, a fim de resgatar o que o grupo produziu de fundamental a partir da música brasileira.

Repost

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *