
O partido da primeira-ministra ultraconservadora Sanae Takaichi, defensora de uma linha dura sobre imigração, terá maioria esmagadora na Câmara Baixa do Parlamento após as eleições legislativas deste domingo 8, segundo as primeiras estimativas da mídia japonesa.
Surfando em um estado de graça menos de quatro meses após sua chegada ao poder, sendo a primeira mulher a governar o Japão, o Partido Liberal-Democrata (PLD) e seu aliado, o Partido da Inovação (Ishin), alcançariam até mesmo a maioria de dois terços na assembleia, de acordo com a emissora pública NHK.
A confirmação das projeções representa o melhor resultado do PLD desde 2017, quando o partido era liderado por Shinzo Abe, mentor político de Takaichi, e que foi assassinado em 2022.
O partido estaria em condições de conquistar sozinho mais de 300 dos 465 assentos da Câmara Baixa, contra 198 até então, e recuperar a maioria absoluta perdida em 2024.
Os resultados oficiais só devem ser divulgados na segunda-feira 9, ao longo do dia.
Derrota anunciada da oposição
A nova Aliança Reformista Centrista, que reúne o principal partido de oposição, o Partido Democrata Constitucional (CDP), e o antigo parceiro do PLD, o Komeito, pode perder mais de dois terços de seus assentos atuais.
Já o partido anti-imigração Sanseito pode conquistar entre 5 e 14 cadeiras, contra duas atualmente, segundo a NHK.
“Recebemos o apoio dos eleitores às políticas orçamentárias responsáveis e proativas da primeira-ministra Sanae Takaichi, assim como ao fortalecimento das capacidades de defesa nacional”, declarou o secretário-geral do PLD, Shunichi Suzuki, após a divulgação dos primeiros números.
Takaichi prometeu neste domingo conduzir uma política fiscal “responsável” e “construir uma economia forte e resiliente”, num momento em que suas primeiras medidas deixaram os mercados nervosos e fizeram disparar os rendimentos da dívida japonesa.
A líder anunciou, entre outras medidas, um plano de estímulo equivalente a mais de € 110 bilhões e prometeu isentar alimentos da taxa de consumo de 8% para aliviar o impacto da alta do custo de vida sobre as famílias.
A inflação é uma das principais preocupações, já que a alta de preços permanece acima de 2% há quase três anos.
Takaichi também causou turbulência há uma semana ao elogiar os benefícios de um iene fraco, mesmo enquanto seu ministro das Finanças reiterava que Tóquio interviria para sustentar a moeda.
Aos 64 anos, a primeira-ministra deu novo fôlego ao PLD, no poder quase ininterruptamente há décadas, mas que havia perdido apoio popular.
Tensões com Pequim
Grande admiradora de Margaret Thatcher, Takaichi se comprometeu a “apertar o botão do crescimento”. Sobre imigração, afirmou que os critérios “já se tornaram um pouco mais rígidos, para que terroristas e também espiões industriais não possam entrar facilmente”.
Em 19 de janeiro, a primeira-ministra anunciou a dissolução da Câmara Baixa, desencadeando uma campanha relâmpago histórica de 16 dias.
Muito popular entre os jovens, Takaichi tornou-se até um fenômeno nas redes sociais.
O pleito também era observado de perto em Pequim, já que as tensões sino-japonesas aumentaram desde que Takaichi sugeriu, em novembro passado, que Tóquio poderia intervir militarmente em caso de ataque contra Taiwan, cuja soberania é reivindicada pela China.
O fato de Takaichi ter se recusado a retirar suas declarações “contribuiu para aumentar sua popularidade”, afirmou à AFP Margarita Estévez-Abe, professora de ciência política na Universidade de Syracuse.
Mas, como a primeira-ministra não enfrentará novas eleições até 2028, “o melhor cenário para o Japão seria que ela respirasse fundo e se concentrasse em melhorar a relação com a China”.
