
Representantes do Irã e dos Estados Unidos se reúnem nesta sexta‑feira 6 em Omã, na tentativa de retomar o diálogo diante da ameaça de um conflito mais amplo na região. Estas serão as primeiras negociações entre os dois países desde os ataques americanos contra centrais nucleares iranianas em junho, durante a guerra de 12 dias iniciada após a ofensiva israelense contra o Irã.
Durante o encontro, o Irã pretende se limitar ao tema nuclear, mas Washington deve levantar questões de segurança regional. O governo americano já deixou claro que manterá a ameaça militar caso não haja avanço diplomático.
As negociações foram confirmadas na quarta‑feira 4 e serão conduzidas pelo enviado do presidente americano para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e pelo chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, em Omã, que atuará como mediador entre as partes. Teerã informou que espera negociações “sérias” com os enviados americanos.
“Eles estão negociando”, declarou Donald Trump na quinta‑feira. “Eles não querem que nós os ataquemos”, acrescentou, lembrando que os Estados Unidos enviaram “uma grande frota” de guerra ao Golfo. O Pentágono determinou o envio do porta‑aviões USS Abraham Lincoln, que estava estacionado no Mar do Sul da China, e de sua frota de apoio para o Oriente Médio, em 15 de janeiro.
Teerã reagiu às ameaças americanas dizendo que poderia atacar bases dos Estados Unidos na região em caso de ofensiva. “Estamos prontos para nos defender, e cabe ao presidente americano escolher entre o compromisso ou a guerra”, declarou nesta quinta‑feira o porta‑voz do Exército, general Mohammad Akraminia, citado pela televisão estatal.
O Irã, advertiu ele, tem acesso “fácil” às bases americanas no Golfo. “O Irã está plenamente preparado para enfrentar qualquer ameaça e qualquer inimigo estrangeiro”, afirmou também o ex‑ministro das Relações Exteriores Ali Akbar Velayati, conselheiro do aiatolá Khamenei, citado pela agência iraniana Isna.
Foco no programa nuclear?
As conversas em Omã nesta sexta ocorrem em meio à repressão sangrenta do governo iraniano ao movimento de contestação no início de janeiro, que deixou milhares de mortos, e após uma série de trocas de ameaças entre Washington e Teerã.
Depois de ameaçar atacar o Irã em apoio aos manifestantes, o presidente americano passou a centrar seu discurso no controle do programa nuclear iraniano. Os países ocidentais acusam o Irã de buscar obter a arma nuclear, mas Teerã afirma que seu programa tem fins científicos. O Irã e os Estados Unidos chegaram a retomar as discussões antes da guerra de 12 dias, mas elas emperraram na questão do enriquecimento de urânio por Teerã.
“Continuamos focados nesta questão: garantir que eles não obtenham a arma nuclear”, afirmou na quarta‑feira o vice‑presidente americano JD Vance. Mas “é muito estranho conduzir uma diplomacia com um país onde não se pode sequer falar com a pessoa que o dirige”, comentou, em referência ao guia supremo Ali Khamenei, que aprova – ou veta – todas as decisões no país.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, que está em viagem pelos países do Golfo, pediu nesta quinta‑feira que Teerã “inicie negociações reais” com os Estados Unidos, alertando para o risco de “escalada militar”.
Teerã reiterou que pretende discutir apenas o programa nuclear, com o objetivo de obter a suspensão das sanções internacionais que sufocam sua economia, e rejeita negociações sobre seu programa balístico ou sobre o apoio a grupos hostis a Israel, especialmente o Hezbollah libanês e o Hamas palestino.
Mas o secretário de Estado americano, Marco Rubio, foi categórico: para avançar, as negociações com os iranianos também deverão “incluir certos elementos, especialmente o alcance de seus mísseis balísticos, seu apoio a organizações terroristas (…) e o tratamento dado à sua população”.
Citando autoridades iranianas anônimas, o New York Times informou que os Estados Unidos aceitaram excluir os atores regionais das conversas, atendendo a um pedido de Teerã. “O Irã continua demonstrando inflexibilidade diante das exigências dos Estados Unidos, o que reduz a probabilidade de uma solução diplomática”, analisa o Institute for the Study of War, com sede nos EUA.
