
O empresário e fundador da Microsoft, Bill Gates, afirmou em entrevista exibida nesta quarta-feira 4 em um veículo australiano seu arrependimento por “cada minuto” que passou com o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein, encontrado morto em sua cela em 2019, antes de ir a julgamento.
As declarações de Gates ocorrem depois que sua ex-esposa, Melinda French Gates, disse que o executivo ainda tinha perguntas a responder sobre sua relação com Epstein após a divulgação de um novo lote de arquivos publicados pelo Departamento de Justiça (DOJ) dos Estados Unidos.
Os arquivos revelados na semana passada continham e-mails entre personalidades de alto perfil e Epstein, e em muitos casos mostram laços muito próximos de amizade, acordos de financiamento ilegais e fotos privadas.
“Cada minuto que passei com ele, eu lamento, e peço desculpas”, afirmou Gates ao canal australiano 9News, ao se referir aos seus encontros com Epstein.
Entre os arquivos está o rascunho de um e-mail no qual Epstein alegava que Gates manteve relações extraconjugais.
O falecido criminoso sexual escreveu também que sua relação com o empresário ia desde “ajudar o Bill a conseguir drogas, para lidar com as consequências de fazer sexo com garotas russas, até facilitar seus encontros ilícitos com mulheres casadas”.
“Essa mensagem nunca foi enviada. (…) É falsa”, respondeu Gates. “Não sei o que ele estava pensando. Estava tentando me atacar de alguma forma?”, questionou Gates.
Em entrevista à rádio pública dos Estados Unidos (NPR), Melinda French Gates afirmou que a nova divulgação de arquivos lhe trouxe “lembranças de momentos muito dolorosos (…). Quaisquer que sejam as perguntas que restem (…), são para essas pessoas e até para o meu ex-marido. Eles é que devem responder (…), não eu”.
O casal se divorciou em 2021.
Gates disse à 9News que conheceu Epstein em 2011 e que jantou com ele em várias ocasiões, mas que nunca visitou sua ilha no Caribe e não teve relações com mulheres.
“O foco sempre foi que ele conhecia muita gente muito rica e dizia que podia fazer com que doassem dinheiro para a saúde global. Em retrospectiva, isso foi um beco sem saída”, sustentou.
A presença do nome de alguém nos arquivos de Epstein não implica nenhum crime, mas os documentos revelaram conexões com o falecido financista e figuras públicas que frequentemente minimizaram — ou mesmo negaram — esses vínculos.
