“Os americanos devem saber que, se começarem uma guerra, desta vez será uma guerra regional.” A declaração do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, ocorreu neste domingo (1°) durante a celebração do 47º aniversário da Revolução Islâmica de 1979. A advertência é tida como uma resposta às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a um potencial ataque militar contra o país.
O aiatolá lembrou que o Irã não é o instigador do conflito e que “não quer atacar nenhum país”, mas que Teerã “desferirá um duro golpe contra qualquer um que a ataque e a assedie”.
Durante o pronunciamento, Khamenei disse também que a onda de manifestações que se espalhou por Teerã e outras grandes cidades do país assemelha-se a um golpe de Estado.
“Eles [os manifestantes] atacaram a polícia, centros governamentais, centros da IRGC [Corpo de Guardas da Revolução Islâmica], bancos e mesquitas, e queimaram o Alcorão.” “Foi como um golpe,” ressaltou Khamenei, acrescentando que “o golpe foi reprimido”.
As manifestações no Irã começaram como uma expressão de descontentamento com o alto custo de vida, mas cresceram para se tornar um movimento de massa anti-governo que os líderes do país descreveram como “distúrbios” fomentados pelos Estados Unidos e por Israel.
Teerã reconheceu mais de três mil mortes durante os protestos, mas diz que a maioria era membro das forças de segurança e transeuntes inocentes, atribuindo a violência a “atos terroristas”.
Contudo, organizações de direitos humanos denunciam haver mais de seis mil vítimas.
Negociação
No sábado (31), o presidente dos Estados Unidos disse que o Irã negocia com o governo estadunidense um acordo sobre seu programa nuclear. “Espero que negociem algo aceitável”, comentou a repórteres durante uma viagem à Flórida, acrescentando que Teerã deveria aceitar um tratado sem armas nucleares.
Teerã, por sua vez, disse que está pronto para negociações nucleares se suas capacidades de mísseis e defesa não estiverem na agenda.
O presidente iraniano Masoud Pezeshkian disse no sábado que “uma guerra não seria do interesse nem do Irã, nem dos Estados Unidos, nem da região”.
*Com informações da AFP e da Telesur
