Un cartel político que dice en español: "Pense cuidadosamente seu voto" se ve en una pared en San José el 28 de enero de 2026.

Um total de 3,7 milhões de costarriquenhos está apto a escolher no domingo (1º) o novo presidente da República e os deputados da Assembleia Legislativa, órgão unicameral composto por 57 membros, para o período 2026-2030.

Em um contexto em que o país bateu consecutivamente, nos últimos anos, todos os seus recordes históricos de insegurança e, após quatro anos de políticas neoliberais agressivas, o principal debate eleitoral concentra-se em saber se o atual projeto do presidente ultradireitista Rodrigo Chaves continuará ou será modificado.

Enquanto o governo busca conquistar uma maioria legislativa que permita consolidar o projeto político rupturista impulsionado por Chaves — incluindo uma eventual mudança constitucional —, a oposição pretende forçar um possível segundo turno.

Marcadas por crescente fragmentação política, 20 candidaturas disputam a chegada ao Palácio Presidencial. Para vencer no primeiro turno, um candidato deve obter mais de 40% dos votos válidos; caso contrário, os dois primeiros disputarão uma segunda rodada no próximo dia 5 de abril.

A candidata governista e a aposta pela continuidade

A lei eleitoral da Costa Rica proíbe a reeleição. No entanto, Rodrigo Chaves, que mantém considerável popularidade no país, conseguiu posicionar como principal figura eleitoral a pouco carismática Laura Fernández Delgado, apresentada como sua herdeira política.

Com apenas 39 anos, a candidata do governista Partido Pueblo Soberano (PPSO) atuou como ministra da Economia e, posteriormente, como ministra da Presidência.

Com um discurso confrontador contra as “castas da política tradicional”, estratégia herdada de Chaves, suas propostas concentram-se na continuidade dos cortes estatais promovidos pelo atual governo, com enfoque neoliberal na economia e uma agenda punitiva na área de segurança.

Com intenção de voto em torno de 44%, segundo os últimos estudos de opinião do Centro de Pesquisa e Estudos Políticos (Ciep), Fernández Delgado surge com chances de vencer já no primeiro turno. No entanto, com 32% do eleitorado ainda indeciso, ainda existem margens relevantes de incerteza quanto ao resultado final.

Costa Rica's presidential candidate of the Sovereign People party, Laura Fernandez, speaks during her closing campaign in San Jose on January 29, 2026. Costa Rica will hold a presidential election on February 1, 2026. (Photo by Marvin RECINOS / AFP)
Candidata à presidência da Costa Rica, Laura Fernandez Delgado discursa durante campanha no dia 29 de janeiro | Crédito: (Photo by Marvin RECINOS / AFP)

Uma oposição fragmentada e sem liderança clara

Com múltiplas candidaturas disputando um eleitorado disperso, o restante do espectro político aparece profundamente dividido, com várias candidaturas meramente simbólicas. Estudos de opinião indicam que 14 dos candidatos sequer alcançam a margem de erro estatística, que é de 3%.

Entre as principais figuras opositoras está Claudia Dobles Camargo, arquiteta e candidata centro-esquerdista da Coalizão Agenda Cidadã (CAC).

Dobles foi primeira-dama entre 2018 e 2022, durante o governo de Carlos Alvarado Quesada, do Partido Ação Cidadã (PAC). Nesse período, manteve perfil público ativo e impulsionou iniciativas como o projeto do trem elétrico. Ela possui cerca de 9% de intenção de voto.

Com apoio semelhante está Álvaro Ramos, economista e candidato do Partido Libertação Nacional (PLN), histórico partido social-democrata que, junto com o Partido Unidade Social Cristã (PUSC), dominou o bipartidarismo costarriquenho durante grande parte do século 20, sistema que entrou em colapso em 2014.

Em meio ao desgaste da estrutura partidária, Ramos aposta na recuperação da tradição liberacionista.

Com uma agenda que prioriza temas como defesa do meio ambiente, direitos humanos e direitos da diversidade de gênero, o professor Ariel Robles ocupa o quarto lugar. Ele representa o Partido Frente Amplo, uma coalizão que reúne setores de centro-esquerda e esquerda.

No campo conservador, o jornalista e cantor evangélico Fabricio Alvarado lidera o Partido Nova República, com apoio estimado entre 4% e 5%.

Alvarado foi deputado e candidato à presidência em 2018, quando chegou ao segundo turno. Seu discurso concentra-se na defesa dos “valores familiares tradicionais” e em uma aberta oposição aos direitos da população LGBT+.

múltiplas opções de candidatos a presidente da costa rica
Candidatos de vários campos políticos disputam a presidência da Costa Rica | Crédito: (Photo by MARVIN RECINOS / AFP)

Costa Rica no cenário internacional: entre Estados Unidos e China

Nos últimos anos, as políticas de Chaves buscaram desmantelar dois pilares da política costarriquenha: as políticas de bem-estar de estilo social-democrata e o relativo multilateralismo na política externa.

Em 2007, a Costa Rica foi o primeiro país da América Central a estabelecer relações diplomáticas com Pequim. A partir dessa relação, a China começou a desenvolver infraestrutura para o desenvolvimento e a tecnologia 5G, um tipo de parceria duramente criticada por Washington.

Após vários governos tentarem manter equilíbrio em sua política externa, em agosto de 2023 o governo de Rodrigo Chaves emitiu um decreto que excluiu empresas de capital chinês do desenvolvimento da rede 5G. A medida foi abertamente celebrada pelos Estados Unidos.

Desde então, a relação com Washington se fortaleceu significativamente. Em fevereiro de 2025, a Costa Rica foi um dos primeiros países visitados pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que elogiou o governo de Chaves e destacou a importância de “premiar os amigos e não os inimigos”. Nesse contexto, os EUA comprometeram-se a aprofundar uma agenda conjunta de segurança, oferecendo apoio de agências como o FBI e a DEA sob o argumento da “luta contra o narcotráfico”.

Atualmente, o governo de Chaves é um dos governos ultradireitistas da região alinhados com Washington. As eleições serão um passo determinante para sua consolidação ou para um eventual freio.

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