Lula defende soberania do Panamá sobre o Canal em meio à cobiça de Trump – CartaCapital

O presidente Lula (PT) voltou a defender, nesta quarta-feira 28, a soberania do Canal do Panamá, reiterando a necessidade de manter a neutralidade da área, cobiçada por Donald Trump. “Defender a neutralidade do ‌canal é defender um comércio internacional justo, equilibrado e baseado em regras multilaterais”, disse o petista, ao lado do presidente panamenho José Raúl ‌Mulino.

O encontro entre os dois aconteceu logo após a abertura do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, realizado no Panamá. Mais cedo, o brasileiro já havia dito ser preciso garantir a neutralidade na gestão do canal e evitar conflitos em uma zona importante para toda a região. 

Construído no início do século XX e entregue ao Panamá no final de 1999, a passagem marítima liga o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico. Logo que tomou posse, no ano passado, o presidente dos EUA ameaçou assumir seu controle, alegando que o canal estaria sendo operado pela China.

Além disso, Trump afirmou considerar muito altas as tarifas cobradas pela administração do canal, que está nas mãos dos panamenhos graças aos tratados assinados pelo ex-presidente americano James Carter e pelo general panamenho Omar Torrijos em 1977.

Em declaração à imprensa, Lula pontuou ser necessário acabar com os desentendimentos entre os governos de diferentes espectros políticos para ampliar o comércio entre os países da região. “Falta a compreensão do que é uma atividade política. O presidente não faz negócios, mas ele abre as portas para quem faz negócios”.

Além disso, considerou que a realização de eventos como o Fórum Econômico Internacional mostram que “com diálogo e pragmatismo é possível estabelecer um crescimento conjunto”. E enfatizou a necessidade do fortalecimento de blocos regionais para que os países se protejam de choques externos. 

Ele ainda subiu o tom na defesa da união dos países da América Latina, declarando que as disputas ideológicas têm prevalecido e alertando que, se os países seguirem divididos, ficarão ainda mais frágeis.

“Permitimos que conflitos e disputas ideológicas alheios se imponham. As ameaças do extremismo político e da manipulação da informação se incorporam ao nosso cotidiano. Passamos de reunião em reunião, repletas de ideias e iniciativas que nunca saem do papel. Nossas cúpulas se tornaram rituais vazios, dos quais se ausentam os principais líderes regionais”, concluiu Lula.

Durante sua agenda no Panamá, o presidente também foi condecorado com a maior honraria do País, a Ordem Manuel Amador Guerrero. A comenda é destinada a chefes de Estado, autoridades estrangeiras e personalidades que tenham prestado serviços relevantes à nação panamenha ou contribuído para o fortalecimento das relações diplomáticas e institucionais com o País.

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