Além do esperado – CartaCapital

O Brasil voltou a celebrar o cinema em clima de Copa do Mundo na manhã da quinta-feira 22, quando O Agente Secreto, produção pernambucana dirigida por Kleber Mendonça Filho, recebeu quatro indicações ao ­Oscar. Após um ano especial para os brasileiros na temporada de premiações de 2025, com Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, que levou o prêmio de atriz para Fernanda Torres no Globo de Ouro e filme internacional no Oscar, agora é a vez de mais um trabalho do País se destacar na maior premiação de Hollywood.

O Agente Secreto foi indicado a melhor filme, ator (Wagner Moura), direção de elenco e filme internacional. Pela segunda vez um longa-metragem do Brasil tem quatro indicações desde 2004, quando Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, disputou direção, roteiro adaptado, montagem e fotografia.

O filme de KMF vem numa campanha bem-sucedida capitaneada pela ­Neon, distribuidora responsável pela divulgação em território norte-americano. A Neon já emplacou no Oscar produções como Parasita (2019) e ­Anora (2024) e tem nessa temporada outros títulos de peso, entre eles Foi Apenas um ­Acidente (França/Irã), Valor Sentimental ­(Noruega) e Sirát (Espanha), todos produções de fora dos EUA com várias indicações ao Oscar e concorrentes diretos da obra brasileira.

A indicação de Moura a melhor ator marca a primeira vez do Brasil na categoria. Vindo das vitórias até então também inéditas no Festival de Cannes, em maio de 2025, e no Globo de Ouro, em janeiro de 2026, o baiano tem fortes chances de ganhar a estatueta, mesmo na disputa com os nomes estelares de Timothée Chalamet, por Marty Supreme, Leo­nardo DiCaprio, de Uma Batalha Após a Outra, Ethan Hawke, com Blue Moon, e Michael B. Jordan, em Pecadores.

Além de O Agente Secreto, há uma quinta indicação brasileira no Oscar: Adolpho Veloso, um dos favoritos na categoria de melhor fotografia, pelo norte-americano Sonhos de Trem, de Clint Bentley. Em saldo geral, o recordista em número de indicações no Oscar agora é Pecadores, de Ryan Coogler, que emplacou 16 categorias na edição deste ano, a maior quantidade em quase um século de premiação.

A entrega do Oscar será em 15 de março, um mês depois do Carnaval. Certamente o Brasil voltará a fazer folia na torcida por seus filmes. •

Publicado na edição n° 1397 de CartaCapital, em 28 de janeiro de 2026.

Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘Além do esperado’



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