PF mira Daniel Vorcaro em nova fase da Operação Compliance Zero e bloqueia R$ 5,7 bilhões em bens  – CartaCapital

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira 14 a segunda fase da Operação Compliance Zero, investigação que apura um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. A ofensiva inclui buscas em endereços associados ao proprietário da instituição, Daniel Vorcaro, bem como de familiares dele, em São Paulo e em outros quatro estados. O empresário Nelson Tanure também é alvo da ação.

Ao todo, são cumpridos 42 mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal, além de medidas de sequestro e bloqueio de bens que ultrapassam 5,7 bilhões de reais. Parte das diligências ocorre em imóveis localizados na Avenida Faria Lima. Os mandados também se estendem a outros quatro estados: Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

De acordo com a PF, a investigação identificou um esquema de captação de recursos, aplicação em fundos e desvio de valores para o patrimônio pessoal de Vorcaro e de parentes. Os agentes apreenderam carros, artigos de luxo, equipamentos eletrônicos, armas, munições e documentos.

A primeira fase da operação, deflagrada em novembro do ano passado, resultou na prisão de Vorcaro, que foi detido no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, sob suspeita de tentar deixar o País em um avião particular. Ele foi liberado dias depois. Na ocasião, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, alegando incapacidade da instituição de honrar compromissos financeiros.

A PF apura a emissão de títulos de crédito falsos e a oferta de Certificados de Depósito Bancário com retornos muito acima dos praticados no mercado, operação que poderia ter provocado um rombo estimado em 12 bilhões de reais. O caso também gerou questionamentos no Tribunal de Contas da União sobre possível liquidação precipitada por parte do Banco Central e levou o STF a impor sigilo total sobre a investigação.

As novas medidas, segundo a PF, têm como objetivo interromper a atuação da organização criminosa, preservar ativos e avançar na apuração dos crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de capitais.

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