
O Ministério Público Federal abriu um inquérito para apurar suposta discriminação cultural e religiosa praticadas pela prefeitura do Rio de Janeiro durante as celebrações do Réveillon.
Segundo o órgão, a apuração tem como base a alegação de promoção de shows exclusivamente de cantores evangélicos na Praia do Leme. É o segundo ano que a celebração conta um palco exclusivo para a música gospel.
Em nota, o MPF informou ter requisitado à prefeitura do Rio de Janeiro mais informações sobre os critérios adotados para a definição e a destinação de recursos públicos para eventos culturais realizados nas praias durante o Réveillon de 2026. O prazo para a resposta foi fixado até o dia 21 de janeiro.
Na data limite, será realizada uma reunião na sede do MPF com representantes do poder público e de entidades da sociedade civil, com o objetivo de discutir políticas públicas para o enfrentamento da intolerância e do racismo religioso e cultural.
“O escopo inicial do inquérito é ampliar o diálogo entre as instituições e a sociedade, buscar a pacificação social mediante possível autocomposição e verificar o que precisa ser implantado, corrigido ou aprimorado para melhor concretização dos objetivos que garantam a diversidade e a equidade”, destacou o órgão.
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) negou a acusação em suas redes sociais. “A gente não pode transformar um preconceito que de fato existe, e que é absurdo, inaceitável, contra o povo de axé, agora virar preconceito contra o povo cristão. Tem uma parte muito importante, significativa da nossa cidade, da nossa população, que curte música gospel e que quer e pode ter seu espaço e que não vinha à Copacabana”, declarou.
Nesta sexta-feira 2, o prefeito voltou a comentar o episódio em suas redes, pedindo desculpas se o posicionamento anterior ofendeu ofendeu os praticantes das religiões de matriz africana.
“Peço novamente desculpas sinceras se algum post meu ofendeu praticantes dessas religiões. Essa nunca foi — e nunca será — minha intenção. O gênero musical gospel teve mais um ano de sucesso nas areias do Leme, dentro de uma programação plural, diversa e democrática, que é a marca do Rio. Por fim, registro que a sugestão para a criação de uma estátua em homenagem a Tata Tancredo será atendida. Vou dialogar com lideranças religiosas para construir, juntos, a melhor forma de fazer essa homenagem tão importante para a cidade. Com isso vamos valorizar a ancestralidade africana reafirmando o compromisso da cidade com a liberdade religiosa e reconhecendo líderes que ajudaram a construir o Rio!”, escreveu o prefeito.
