5 tendências que chegam ao board – CartaCapital

A liderança corporativa atravessa um processo de revisão profunda em 2026, influenciado pelo avanço da automação, pela adoção ampla da inteligência artificial e por novos formatos de trabalho.

O debate entre executivos deixou de se concentrar na incorporação de tecnologia e passou a abordar como manter capacidade de decisão humana em ambientes orientados por dados.

Estudos internacionais sobre habilidades de gestão indicam que competências ligadas a julgamento, empatia e leitura de contexto ganharam peso nas decisões estratégicas. A avaliação é compartilhada por Rao Tadepalli, executivo com trajetória no setor financeiro e atuação como conselheiro de tecnologia no Vale do Silício.

Confiança organizacional

A construção de ambientes de confiança passou a integrar a agenda dos conselhos de administração. Em empresas onde funcionários evitam riscos por receio de errar ou de perder espaço para sistemas automatizados, a capacidade de inovação tende a cair.

Segundo Tadepalli, a liderança passou a ser cobrada por criar condições para que equipes atuem com autonomia e segurança psicológica. Esse fator passou a influenciar desempenho, retenção de talentos e qualidade das decisões.

Liderança diante da velocidade do mercado

A aceleração dos ciclos econômicos ampliou a exigência por ajustes estratégicos contínuos. Nesse contexto, líderes são avaliados pela capacidade de reagir rapidamente sem comprometer objetivos de médio e longo prazo.

Empresas que tratam habilidades humanas como parte da estrutura de gestão conseguem responder melhor a ambientes voláteis. A liderança deixa de ser apenas executora de planos e assume papel ativo na antecipação de movimentos.

Diversidade de decisões

A composição dos times de comando também entrou em revisão. A diversidade de perspectivas passou a ser associada à redução de riscos decisórios em períodos de mudança acelerada.

Grupos homogêneos tendem a reforçar padrões já conhecidos. Em contraste, equipes com formações e visões distintas ampliam a capacidade de questionamento e leitura de cenários futuros, segundo análises observadas em conselhos e comitês estratégicos.

Liderança em estruturas híbridas

Com a consolidação do trabalho remoto e híbrido, a comunicação ganhou papel central. Liderar equipes distribuídas exige clareza de prioridades, alinhamento constante e mensagens consistentes.

Nesse modelo, a liderança precisa manter vínculos organizacionais mesmo à distância, garantindo que decisões e objetivos sejam compreendidos de forma uniforme em diferentes localidades.

Uso da inteligência artificial

Apesar do avanço da automação, a inteligência artificial permanece como ferramenta de apoio à decisão. Sistemas ampliam a análise de dados, mas não substituem critérios éticos ou leitura contextual.

Para Tadepalli, a tendência observada em 2026 é a consolidação de modelos em que dados orientam escolhas, enquanto a decisão final permanece sob responsabilidade humana. Nesse cenário, o aprendizado contínuo passou a integrar o perfil esperado de quem ocupa posições de comando.

Ao analisar organizações com desempenho acima da média, o executivo aponta estruturas menos hierarquizadas, maior autonomia com responsabilidade e clareza de propósito como elementos recorrentes na liderança adotada por empresas que conseguem se adaptar ao novo ciclo.

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